Usiminas celebra os 60 anos do acordo Lanari-Horikoshi
Convênio de intenções entre Brasil e Japão resultou na fundação da empresa
Neste sábado (03/06), completam-se seis décadas da assinatura do acordo Lanari-Horikoshi, que formalizou o compromisso da participação japonesa na construção da Usiminas. O empreendimento foi fundamental para a concretização do sonho de industrialização capitaneado por Juscelino Kubitschek e se tornou o primeiro investimento externo em grande escala do Japão após a 2ª Guerra Mundial. Profissionais de países tão distintos, que precisaram superar as barreiras do idioma e da distância, se uniram em um projeto que colocou Minas Gerais no mapa da siderurgia mundial e contribuiu para gerar o DNA de pesquisa e tecnologia que ainda hoje define a companhia.
Para a assinatura do acordo foi necessário mais de um ano de conversas, após a lavratura da escritura pública de constituição da Usiminas, em abril de 1956. O documento foi batizado com os sobrenomes de Amaro Lanari Júnior e Teizo Horikoshi, que lideraram missões japonesas ao Brasil para viabilizar o projeto. Posteriormente, Lanari se tornou presidente da companhia, entre 1958 e 1976, e Horikoshi presidiu a Nippon Usiminas, empresa criada para facilitar e intermediar os investimentos japoneses na siderúrgica mineira.
De acordo com o presidente da Usiminas, Sergio Leite, a cooperação entre brasileiros e japoneses desde a origem da empresa – que tornou possível a implantação do que viria a ser um dos maiores complexos siderúrgicos da América Latina – consolidou o intercâmbio de conhecimentos como uma das premissas da companhia. “Hoje a Usiminas é composta por três grandes forças: brasileiros, japoneses e ítalo-argentinos, aliando trabalho em equipe, tecnologia e visão de negócios para reforçar a empresa no patamar de referência no mercado de aços planos e líder do segmento no país”, afirma.
Takahiro Mori, vice-presidente de Planejamento Corporativo da Usiminas, lembra que, na época da assinatura do acordo, o Brasil tinha um sonho de se transformar de um país exportador de minério de ferro para um produtor de aço com competitividade internacional. E, para tal, eram necessários o capital e a tecnologia. “O Japão respondeu a esse grande projeto com o forte envolvimento tanto do seu governo quanto da sua indústria, como símbolo da parceria econômica e da amizade entre os dois países. O resultado de tudo isso é a Usiminas. Hoje, a nossa missão é fazer a companhia expandir ainda mais os seus horizontes, mantendo em mente o sonho dos nossos fundadores.”
Do lado brasileiro, o governo federal foi o maior responsável pelo fornecimento do capital necessário à construção da primeira siderúrgica mineira, por meio do então Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico (BNDE), atual BNDES. Do japonês, um grupo privado liderado pela acionista Nippon Steel & Sumitomo Metal Corporation (na época, Yawata Iron and Steel), formado por produtoras de aço e fabricantes de máquinas e equipamentos, completou o investimento junto ao governo do país, que viu na oportunidade um passo importante em seu processo de recuperação pós-guerra.
Criou-se, então, em 1958, uma empresa de capital misto (60% brasileiro e 40% japonês), que dali a quatro anos passou a fornecer, por meio da Usina Intendente Câmara, em Ipatinga (MG), produtos indispensáveis para cobrir a demanda nacional das indústrias naval, automobilística, de base e mecânica pesada. Desde então, mais do que o caminho para o desenvolvimento de aços de alto valor agregado, a contribuição dos japoneses, um dos acionistas da companhia, se traduz no espírito de trabalho, responsabilidade e disciplina que permeiam cada entrega desde o acendimento do primeiro alto-forno da Usiminas.
Legado familiar
Amaro Lanari Neto tinha apenas 7 anos quando viu seu pai embarcar para uma viagem que duraria meses ao Japão e marcaria o início de um relacionamento duradouro entre brasileiros e japoneses. “Naquela época, era muito novo e não compreendia bem o que isso significava, mas sabia que uma viagem ao Japão era algo extraordinário”, lembra.
O que ele aprendeu, nos anos que se seguiram ao acordo que leva, em parte, o sobrenome de sua família, foi a coragem exigida de ambas as partes. “Até então, os brasileiros conheciam pouco sobre siderurgia. Não havia muitos engenheiros com conhecimento suficiente para realizar tal empreitada, ainda mais com um parceiro que não falava a mesma língua. O acordo trazia um risco monumental, mas também a possibilidade de avanços sensacionais.” Adulto, Lanari Neto também trabalhou na Usiminas e pode acompanhar ainda mais de perto os resultados dessa parceria.























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