Política de minerais críticos precisa atrair investimentos, e não os afastar, diz ABPM

Por Conexão Mineral 01/09/2026 - 16:48 hs
Foto: ABPM
Política de minerais críticos precisa atrair investimentos, e não os afastar, diz ABPM
João Luiz Nogueira Carvalho, diretor executivo da ABPM

Às vésperas da votação da nova política pelo Congresso, João Luiz Nogueira Carvalho, diretor executivo da Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa Mineral e Mineração (ABPM) defende segurança jurídica, incentivos à pesquisa mineral e alerta para o risco de excesso de intervenção estatal sobre produção, comercialização e exportações de minerais críticos.

“Precisamos de uma política de minerais críticos que atraia capital, e não de uma política que transforme o investidor em espectador”, afirma.

A política de minerais críticos em discussão no Congresso Nacional precisa criar condições para atrair investimentos e transformar o potencial geológico brasileiro em novas descobertas, minas e cadeias industriais, sem introduzir regras que aumentem a insegurança jurídica ou afastem o capital de risco do país.

O alerta é de João Luiz Nogueira Carvalho, diretor executivo da Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa Mineral e Mineração (ABPM), no momento em que, o Congresso se prepara para avançar na votação da política nacional para minerais críticos e estratégicos, Carvalho considera fundamental que o Brasil estabeleça uma política de Estado para o setor.

Joao Luiz aponta que o desenho dos novos instrumentos será decisivo para determinar se o país conseguirá aproveitar a corrida internacional por minerais essenciais à transição energética, inteligência artificial, data centers, eletrificação e indústria de defesa.

“Precisamos de uma política de minerais críticos que atraia capital, e não de uma política que transforme o investidor em espectador”, afirma.

Para o executivo, a política precisa conciliar três elementos: soberania nacional, competitividade econômica e segurança jurídica.

Entre os pontos considerados essenciais pela ABPM estão uma definição técnica e dinâmica dos minerais críticos e estratégicos, incentivos à pesquisa mineral, previsibilidade regulatória e o fortalecimento institucional da Agência Nacional de Mineração (ANM) e do Serviço Geológico do Brasil (SGB).

João Luiz também faz uma crítica  para a possibilidade de criação de mecanismos que ampliem excessivamente a discricionariedade do governo sobre produção, comercialização, exportação ou enquadramento de projetos como estratégicos.

Na avaliação dele, medidas dessa natureza podem produzir efeito contrário ao pretendido e reduzir a atratividade do Brasil para investidores.

A agregação de valor aos minerais brasileiros, segundo o diretor da ABPM, também não deve ser construída simplesmente por meio de restrições às exportações. Para ser economicamente sustentável, a industrialização precisa estar apoiada em escala, tecnologia, infraestrutura, energia competitiva, financiamento e mercado.

Ele lembra que, apesar de possuir geologia de padrão mundial, o Brasil ainda não desenvolveu um mercado financeiro especializado capaz de financiar, em escala, a pesquisa e o desenvolvimento de novos projetos minerais.

“Na prática, temos pesquisa mineral brasileira sendo financiada por poupança canadense, australiana, americana e britânica”, afirma.

Para ele, a oportunidade aberta pela disputa internacional por minerais críticos pode ser histórica, mas o potencial existente no subsolo, sozinho, não produz desenvolvimento.

“Muito preocupa alguns aspectos como criação de controle de capital, limite de prazo para pesquisa, e falta de participação relevante do setor no conselho.”

Joao Luiz diz que o Brasil tem uma oportunidade histórica nos minerais críticos. Mas reserva mineral no subsolo não gera desenvolvimento sozinha. “É preciso pesquisa, capital, segurança jurídica, competitividade e capacidade empresarial para transformar potencial geológico em riqueza para a sociedade. Desde início desta política o que vemos é uma ausência de injeção de recursos.”