CSN encerra o segundo trimestre com lucro líquido de R$ 219,4 milhões

CSN encerra o segundo trimestre com lucro líquido de R$ 219,4 milhões

Por Conexão Mineral 14/08/2026 - 18:37 hs
Foto: CSN

A CSN Mineração encerrou o segundo trimestre de 2026 (2T26) com um lucro líquido de R$ 219,4 milhões, um salto de 89% em termos anuais, destacando-se pela robustez operacional mesmo diante de um cenário global de custos elevados e uma parada técnica de 15 dias. A empresa atingiu 11,8 milhões de toneladas em vendas, o quarto maior volume de sua história, e avançou significativamente em sua agenda de sustentabilidade, elevando seu rating no FTSE Russell ESG para 3,9 e obtendo a 9ª posição global no ranking da Sustainalytics. No campo ambiental, as reduções de 13% na intensidade de emissões de GEE e de 25% na intensidade hídrica reforçaram a eficiência dos ativos. Com alavancagem controlada em 0,23x e investimentos de R$ 687 milhões voltados à expansão e manutenção, a companhia consolidou progressos sociais, como o aumento de lideranças femininas e a celebração de um novo acordo coletivo, além de marcos na gestão de barragens e inovação tecnológica.

O desempenho financeiro do período revelou a resiliência da operação da CSN Mineração, que manteve o lucro líquido estável em relação ao trimestre anterior, apesar da queda no EBITDA ajustado, que totalizou R$ 1,0 bilhão com margem de 35,5%. A companhia reportou que o resultado foi favorecido por um menor impacto da variação cambial no resultado financeiro e pela recuperação de créditos tributários. A Receita Líquida Ajustada somou R$ 2.867,5 milhões, sofrendo retração de 9,4% ante o 1T26 devido à apreciação cambial e ao aumento dos custos de frete.

No âmbito operacional, o volume de vendas alcançou 11.849 mil toneladas, sendo o mercado externo responsável por 10.503 mil toneladas. A produção de minério de ferro totalizou 10.880 mil toneladas, uma queda de 6,1% na comparação anual, explicada pela parada programada de 15 dias realizada na mina e no porto. O terminal de TECAR apresentou eficiência ao embarcar 9.746 mil toneladas, um crescimento de 11,7% sobre o trimestre anterior, mesmo com os dias de manutenção.

O cenário de mercado externo impôs desafios logísticos, com o preço médio do minério de ferro em US$ 105,29/dmt (referência IODEX Fe 61% CFR Norte da China). O custo do frete marítimo na rota Tubarão–Qingdao subiu para US$ 33,98/t, pressionado pelo conflito no Oriente Médio que encareceu os combustíveis marítimos. Esse contexto de custos logísticos e volatilidade cambial acabou comprimindo as margens, apesar da excelência operacional demonstrada no período.

A governança e a gestão de riscos sustentáveis foram reconhecidas internacionalmente, com a empresa sendo classificada como "Industry Leader" pela Sustainalytics, obtendo 26,2 pontos no ESG Risk Rating 2025 entre 147 organizações do setor. A evolução no rating do FTSE Russell ESG, que passou de 3,4 para 3,9, reforçou a posição da companhia frente a referências globais. Além disso, a CSN Mineração permaneceu, pelo 5º ano consecutivo, como membro da carteira do FTSE4Good.

Na gestão ambiental, a intensidade hídrica foi reduzida para 0,18 m³ de água captada por tonelada, uma melhora de 25% em relação ao 2T25. As emissões de GEE apresentaram redução de 13% na intensidade por tonelada produzida comparada ao ano-base de 2020, impulsionadas por maior eficiência operacional e menor consumo de combustível. Outro marco relevante foi a aprovação do Plano de Gestão da Biodiversidade (PGBio) por auditoria externa, fortalecendo a governança no complexo Mina Casa de Pedra.

A descaracterização de barragens avançou com o reconhecimento, pela ANM, da descaracterização da Barragem do Lagarto. A companhia finalizou o projeto para as obras da Barragem B4, com início previsto para o primeiro trimestre de 2027 e conclusão em 2028. Todas as estruturas da empresa seguem com a Declaração de Conformidade atestada, reafirmando a solidez dos critérios de engenharia e monitoramento.

No eixo social, a representatividade feminina em cargos de liderança atingiu 13,2%, um aumento anual de 7%. Os empregados aprovaram o Acordo Coletivo de Trabalho 2026/2027, que prevê reajustes salariais, abonos e manutenção de benefícios. Por outro lado, a empresa registrou com pesar uma fatalidade de colaborador próprio no trimestre, a primeira após 13 anos sem acidentes fatais; as investigações estão em curso com rigor necessário.

A estrutura de capital mostra uma disponibilidade de R$ 7,9 bilhões e uma dívida líquida de R$ 1,4 bilhão. A alavancagem financeira, medida pela relação Dívida Líquida/EBITDA, situou-se em 0,23x. O investimento total (Capex) foi de R$ 687,0 milhões, um crescimento de 59,4% contra o 1T26, refletindo o avanço nas obras civis da P15 e na manutenção operacional. A companhia também estendeu seu programa de recompra para um total de 100 milhões de ações.

P15

Os investimentos na P15 são parte central da estratégia de crescimento e eficiência operacional da CSN Mineração.  No segundo trimestre de 2026 (2T26), a companhia registrou um investimento total (Capex) de R$ 687,0 milhões. Esse montante representa um crescimento de 59,4% em relação ao trimestre anterior, impulsionado majoritariamente pela evolução das obras civis da P15.

A futura implantação da P15 terá um impacto ambiental positivo, pois direcionará a exploração mineral para áreas mais próximas, utilizando itabiritos já lavrados. Isso otimizará as rotas de lavra, reduzindo o consumo de combustível e consolidando um novo patamar de eficiência em carbono para a companhia.

Para dar suporte a seus projetos de expansão, a Fundação CSN iniciou em abril de 2026 uma nova edição do programa Trilhas de Futuro. O programa oferece formação técnica gratuita em áreas como Mineração e Eletromecânica para jovens da região de Congonhas, preparando profissionais qualificados para as demandas operacionais da empresa.

Produção de areia

O Projeto de Produção de Areia da CSN Mineração funciona através do aproveitamento do rejeito arenoso proveniente das operações da própria companhia. Esse material, que anteriormente seria apenas descartado, passa a ser utilizado como matéria-prima para a produção de areia destinada especificamente à concretagem das obras da P15.

A iniciativa transforma um alto volume de rejeito em um coproduto de valor, seguindo as diretrizes de sustentabilidade e circularidade da empresa. Ao retirar esse volume de rejeitos do sistema de descarte, o projeto consegue postergar a saturação das pilhas de estéril. A solução reduz a necessidade de se criar e utilizar novas áreas de armazenamento de rejeitos minerais, otimizando o uso do território atual.  O projeto atua como uma medida de mitigação para riscos como a pressão por melhor desempenho ambiental e riscos relacionados à segurança de barragens.