A Jaguar Mining alcançou um crescimento de 43% em sua receita no segundo trimestre de 2026 em comparação ao mesmo perÃodo do ano anterior, impulsionada pelo aumento na produção de ouro e pela valorização do metal no mercado internacional. A retomada das atividades no Complexo MTL e a consistência da Mina Pilar no Brasil garantiram a geração de US$ 6,6 milhões em fluxo de caixa livre no trimestre, recurso que está sendo direcionado para autofinanciar o programa de exploração mineral de 2026 e a reabilitação da Mina Santa Isabel. Com um EBITDA de US$ 27,8 milhões e balanço patrimonial fortalecido, a mineradora reafirmou sua projeção consolidada de produzir entre 50.000 e 60.000 onças de ouro até o final de 2026, com foco na conversão de recursos em reservas e no avanço do licenciamento ambiental de novos projetos.
Custos operacionais e margens de lucro
No segundo trimestre de 2026, os custos operacionais da Jaguar Mining refletiram um perfil normalizado, embora tenham sido impactados por maiores despesas em atividades de desenvolvimento. Os Custos Operacionais de Caixa (Cash Operating Costs) totalizaram US$ 21,4 milhões, o que representa US$ 1.834 por onça de ouro vendida. Já o Custo Sustentável Total (AISC) ficou em US$ 2.840 por onça, incluindo despesas de capital (CAPEX) sustentáveis e não sustentáveis.
Apesar desses custos, a elevação no preço realizado do ouro permitiu à empresa manter margens operacionais consideradas saudáveis pela administração: a margem operacional de caixa ficou em US$ 2.557 por onça, enquanto a margem sustentável total (AISC margin) atingiu US$ 1.551 por onça. Os resultados do trimestre também contaram com uma recuperação lÃquida de US$ 0,8 milhão referente à s etapas finais de restauração do evento Satinoco. A prioridade declarada pela administração para o restante do ano de 2026 é manter a execução focada na produção e no controle de custos, enquanto avança com os programas de sondagem.
Recuperação do Complexo MTL
A virada nos resultados financeiros da companhia em relação a 2025 está diretamente associada à s etapas finais de resolução do evento Satinoco. Em 2025, o incidente havia gerado prejuÃzo lÃquido e despesas substanciais, totalizando US$ 23,5 milhões no segundo trimestre daquele ano (US$ 29,2 milhões no acumulado até o segundo trimestre de 2025). O evento também causou a suspensão das atividades no Complexo MTL (Mina Turmalina), gerando custos de manutenção e cuidados (care and maintenance) de US$ 9,7 milhões no segundo trimestre de 2025 (US$ 17,8 milhões no acumulado do ano anterior).
Com a ausência das cobranças recorrentes do evento Satinoco e a recuperação lÃquida de US$ 0,8 milhão no segundo trimestre de 2026, o EBITDA da companhia subiu para US$ 27,8 milhões, ante uma perda de US$ 0,7 milhão no mesmo perÃodo de 2025. Após receber a aprovação regulatória em março de 2026, a Mina Turmalina e sua planta de processamento retomaram as operações e estão em fase de ramp-up para atingir os nÃveis de produção planejados.
Desempenho sólido na Mina Pilar
A Mina Pilar manteve-se como um dos pilares de sustentação da receita e do fluxo de caixa da mineradora no perÃodo. A unidade produziu 9.063 onças de ouro no segundo trimestre de 2026 — volume considerado forte pela administração, ainda que inferior à s 10.731 onças registradas no segundo trimestre de 2025.
No trimestre, foram processadas 96.020 toneladas de minério na Mina Pilar, com teor médio de 3,30 g/t Au e taxa de recuperação de 89%. Em decorrência dos programas de sondagem, as Reservas Minerais Provadas e Prováveis (2P) da mina apresentaram um crescimento de 49%, totalizando 286.000 onças (2.494 kt a 3,57 g/t Au) até o final de 2025. De acordo com o CEO da Jaguar Mining, Luis Albano Tondo, o desempenho contÃnuo da Mina Pilar, aliado ao aumento da produção na Mina Turmalina, foi fundamental para que a companhia alcançasse maior lucratividade ao aproveitar o cenário de preços elevados do ouro.
Projetos de expansão e exploração mineral
Com a geração de fluxo de caixa livre de US$ 6,6 milhões garantindo o autofinanciamento do programa de exploração de 2026, a Jaguar Mining avança em frentes estratégicas para ampliação de suas reservas:
• Mina Santa Isabel (Complexo Paciência): O projeto passa por processos de esgotamento de água (dewatering), reabilitação subterrânea, desenvolvimento de galerias e sondagem diamantada. O objetivo é reiniciar a operação entre o final de 2026 e o inÃcio de 2027. O Complexo Paciência possui Recursos Inferidos de 189.000 onças com teor de 4,14 g/t Au, e um novo relatório técnico formal NI 43-101 é esperado para 2027 para detalhar as reservas e a capacidade produtiva. A projeção de produção anual da Jaguar para 2026 (50.000 a 60.000 onças) refere-se apenas aos ativos operacionais atuais (Pilar e Turmalina), sem incluir Santa Isabel.
• Projeto Onças de Pitangui: O licenciamento ambiental encontra-se na terceira e última rodada de esclarecimentos com as autoridades. A construção será iniciada assim que a Licença de Instalação for emitida.
• Distrito de Ouro de Paciência: A empresa confirmou um corredor mineralizado de cerca de 15 quilômetros conectando os alvos de Chamé, Santa Isabel, Marzagão e Bahú. Mais de 3.700 metros de sondagem foram realizados na área para expandir o potencial de exploração.
• Exploração ContÃnua: Na Mina Pilar, a empresa mantém sondagens direcionais constantes para converter o potencial geológico em Reservas Minerais.
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