Atlas Lithium obtém licença ambiental para ampliar projeto de lítio em Minas
Projeto Neves, no Vale do Jequitinhonha, terá produção anual estimada em 146 mil toneladas de concentrado
Projeto Neves, no Vale do Jequitinhonha, terá produção anual estimada em 146 mil toneladas de concentrado
A Atlas Lithium anunciou ontem (29/6) que recebeu a licença ambiental que autoriza a ampliação do Projeto Neves, em Minas Gerais, movimento considerado decisivo para o avanço do empreendimento rumo à produção comercial. Localizado no Vale do Jequitinhonha, o ativo é hoje o principal projeto de lítio da companhia no Brasil. Segundo a empresa, a nova autorização regulatória permite acelerar a implementação do projeto conforme as diretrizes estabelecidas em seu Estudo de Viabilidade Definitivo (DFS, na sigla em inglês), elaborado pela SGS Canada.
No estudo, o Projeto Neves aparece com produção anual estimada em cerca de 146 mil toneladas de concentrado de lítio, Taxa Interna de Retorno (TIR) pós-impostos de 145% e prazo de retorno do investimento de aproximadamente 11 meses. A companhia afirma ainda que o custo operacional projetado é de 489 dólares por tonelada de concentrado, patamar inferior aos preços recentes de mercado citados no comunicado, em torno de 2,2 mil dólares por tonelada.
Para o setor, a combinação entre licença ambiental, baixo custo operacional e prazo curto de payback reforça o posicionamento do ativo entre os projetos de lítio com maior atratividade econômica em desenvolvimento. Em comunicado, o CEO e chairman da Atlas Lithium, Marc Fogassa, classificou a obtenção da licença como um marco relevante na trajetória da empresa até a fase de produção. “A autorização para ampliar o Projeto Neves representa um passo decisivo para transformar nosso potencial mineral em operação, com geração de empregos, desenvolvimento regional e um modelo de produção alinhado às exigências ambientais e de competitividade do mercado brasileiro”, afirmou o executivo.
A expectativa da Atlas Lithium é que a implementação do Projeto Neves amplie de forma significativa a geração de empregos na região. A empresa afirma que paga salários médios superiores ao dobro dos valores praticados localmente, além de benefícios adicionais, como plano de saúde familiar para seus colaboradores. No campo operacional, a companhia informou que já mobilizou parceiros brasileiros para conduzir a execução do projeto, entre eles Promon Engenharia, TSX Engineering, Cerne Construções e Alfa Engenharia. Também informou que sua planta modular de processamento por separação em meio denso (DMS) já foi entregue ao Brasil e está pronta para montagem.
De acordo com a Atlas Lithium, a estrutura foi concebida para simplificar transporte, instalação e comissionamento, além de operar com sistemas avançados de recirculação de água e rejeitos 100% empilhados a seco. A empresa sustenta que esse desenho coloca o projeto entre aqueles com menores índices de consumo hídrico e padrões ambientais mais elevados do setor. A companhia também busca sustentar a tese de crescimento com base em sua posição territorial no país. Segundo a Atlas Lithium, a empresa detém aproximadamente 557 quilômetros quadrados em direitos minerais de lítio, o que representaria a maior área de exploração do mineral no Brasil entre companhias listadas em bolsa.
Essa estratégia foi reforçada por um investimento de 30 milhões de dólares da Mitsui & Co., conglomerado japonês que passou a integrar a base de acionistas da empresa. Além do lítio, a Atlas Lithium mantém exposição a outros minerais críticos por meio de sua participação de cerca de 20% na Atlas Critical Minerals Corporation, companhia com ativos ligados a terras raras, grafite e titânio.
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