Brasil lidera atração de investimentos chineses no mundo em 2025, aponta estudo do CEBC
Pesquisa inédita analisa a configuração dos investimentos chineses no Brasil no último ano, com destaque para setores estratégicos da transição energética
Pesquisa inédita analisa a configuração dos investimentos chineses no Brasil no último ano, com destaque para setores estratégicos da transição energética
O Brasil foi o país que mais recebeu investimentos chineses no mundo em 2025, com aportes que chegaram a US$ 6,1 bilhões em projetos distribuídos por 20 estados brasileiros. É o que mostra estudo inédito divulgado pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC). Intitulado “Investimentos Chineses no Brasil – 2025: Mineração, Mobilidade Elétrica e Renováveis”, o levantamento foi apresentado em evento online transmitido ao vivo pelo Zoom e pelo YouTube. A programação contou com abertura do Embaixador Luiz Augusto de Castro Neves, Presidente do CEBC, e de José Leandro Borges, Diretor do Bradesco, seguida da apresentação do estudo por Tulio Cariello, Diretor de Conteúdo e Pesquisa do CEBC e autor da publicação.
Cariello destacou que o desempenho brasileiro foi puxado principalmente pelos setores de eletricidade e mineração, que praticamente empataram na liderança. “Os aportes em eletricidade, incluindo energias solar e eólica, têm crescido de forma contínua e chegaram a US$ 1,79 bilhão em 2025. Já os investimentos em mineração mais que triplicaram na comparação com o ano anterior, somando US$ 1,76 bilhão, com aquisições feitas por empresas chinesas em segmentos como níquel e cobre, que são essenciais para cadeias produtivas associadas à transição energética”, afirmou.
Os investimentos de empresas chinesas no setor automotivo também chegaram a um novo patamar. “A inauguração das fábricas da GWM e da BYD no país e o início da produção local demonstram o amadurecimento dos projetos voltados para mobilidade elétrica no Brasil”, ressaltou Cariello. Segundo o estudo, o valor aportado por empresas chinesas no setor automotivo alcançou ao menos US$ 965 milhões em 2025, alta de 66% em relação ao ano anterior.
Após a apresentação do estudo, o evento contou com debate moderado por Cláudia Trevisan, Diretora Executiva do CEBC, com participação de Danilo Goulart, Chief Representative Officer do Bradesco em Hong Kong; Ricardo Bastos, Presidente da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) e Diretor de Assuntos Institucionais da GWM Brasil; e Adriana Waltrick, CEO da SPIC Brasil.
Para Goulart, o crescimento dos investimentos chineses no Brasil combina fatores conjunturais e estruturais. Ele mencionou o cenário internacional mais fragmentado, as restrições enfrentadas por empresas chinesas em alguns mercados e o interesse crescente por setores estratégicos, como mineração e cadeias produtivas ligadas à transição energética. Ao mesmo tempo, ressaltou que o Brasil tem uma relevância de longo prazo para a China e que a relação bilateral vem amadurecendo com a diversificação dos investimentos.
“O relacionamento comercial entre China e Brasil vem amadurecendo ao longo do tempo. Estamos trazendo mais setores, e o estudo mostra investimentos em 20 estados brasileiros. Isso exige conhecimento do país, da cadeia produtiva e das condições locais”, afirmou Goulart. Segundo ele, a nova onda de aportes representa uma oportunidade importante, mas exige preparo institucional e empresarial para que os projetos se consolidem de forma sustentável.
Ricardo Bastos destacou o avanço da mobilidade elétrica no Brasil e o papel das empresas chinesas nesse processo. Segundo ele, as vendas de veículos eletrificados representam parcela crescente do mercado nacional, enquanto a China segue como referência tecnológica global no setor. Para Bastos, a chegada de montadoras chinesas ao Brasil marca uma nova etapa, mas também exige adaptação à realidade local.
“O modelo chinês deu muito certo, mas ele não é simplesmente exportável. Para operar e fabricar no Brasil, é preciso entender as condições locais e adaptar esse modelo à realidade brasileira”, afirmou. Bastos também ressaltou que o Brasil tem uma cadeia automotiva relevante, historicamente vinculada à indústria tradicional, e que o desafio agora é promover a migração e a incorporação de novas tecnologias ligadas à eletrificação.
Adriana Waltrick, por sua vez, destacou a atratividade do Brasil para investimentos em energia renovável, não apenas pela disponibilidade de recursos naturais, mas também pela estrutura regulatória, pelos contratos de longo prazo e pela presença de instrumentos de financiamento. Segundo ela, o país reúne condições importantes para atrair empresas chinesas do setor, especialmente em um contexto global de aumento da demanda por energia limpa.
“O Brasil tem uma matriz elétrica renovável que o mundo inteiro gostaria de ter. Estamos onde o mundo quer estar em 2050”, afirmou Waltrick. A CEO da SPIC Brasil também chamou atenção para desafios regulatórios e operacionais, como a necessidade de expansão da transmissão, maior digitalização do sistema elétrico, avanço em armazenamento, hidrogênio verde e integração de diferentes fontes de energia.
Patrocinado pelo Bradesco Corporate, o estudo atualiza o fluxo e o estoque dos investimentos chineses no Brasil entre 2007 e 2025, analisando valores, número de projetos, distribuição setorial e geográfica e modalidades de entrada do capital. Entre 2007 e 2025, os investimentos chineses no Brasil acumularam US$ 85,5 bilhões por meio de 355 projetos.
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