Vale detalha seus projetos durante o Vale Day 2025 realizado em Londres

Por Conexão Mineral 05/12/2025 - 22:39 hs
Foto: Vale

A Vale realizou no dia 02 de dezembro, em Londres, o Vale Day 2025. A mineradora reuniu seus executivos, investidores e participantes do mercado de capitais para apresentar as principais realizações e projetos futuros da empresa.

Minério de ferro

A estratégia da Vale para o negócio de minério de ferro visa transformá-lo na plataforma mais lucrativa, competitiva e eficiente do setor. A visão de longo prazo é aumentar a produção e entregar 360 milhões de toneladas (Mt) de minério de ferro nos próximos cinco anos, com um mix de produtos aprimorado. Para 2025, a expectativa é entregar 335 Mt, e a projeção para 2026 é de 335 a 345 Mt. O  volume projetado pode ser alcançado sem depender de novas licenças ambientais.

A Vale colocou quatro projetos críticos em operação, sendo dois deles no negócio de minério de ferro:

Vargem Grande e Capanema: Ambos já estão em operação e em fase de ramp-up. Cada uma dessas instalações foi projetada para produzir 15 milhões de toneladas por ano (Mtpa). O ramp-up total das duas linhas deverá ser concluído até o final de 2026.

Projeto +20 no S11D: Este projeto avança conforme o cronograma e a conclusão é esperada para dezembro de 2026. Inclui a instalação do segundo transportador de longa distância, cujos testes com carga terão início no segundo trimestre do próximo ano. Todos os licenciamentos ambientais necessários para este projeto já foram obtidos.

Projeto de Britador de Compactos (S11D): Também avança de acordo com o calendário, com conclusão esperada até o final de 2026. Este projeto é a solução definitiva para o jaspilito, removendo uma restrição operacional, permitindo à Vale processar todo o material de contato da mina e gerir um maior volume de rejeito.

Pilha Tamanduá (Brucutu): Esta pilha é considerada essencial para as operações de Brucutu e deverá entrar em funcionamento no início de 2028.

O portfólio de projetos inclui opções para crescimento de curto, médio e longo prazo:

Expansão Serra Leste e Projetos N3: São projetos de curto e médio prazo que, em conjunto, irão adicionar 10 Mtpa ao Sistema Norte da Vale. Há otimismo de que Serra Leste possa ir além da capacidade de 4 milhões de toneladas.

Planta de Concentração de Sohar: A conclusão desta planta está prevista para a segunda metade de 2027. A planta será construída nas áreas de deposição de rejeitos.

Modernização em Vargem Grande: Há planos para modernizar a unidade de Vargem Grande Tool e as plantas de processamento de Pico, ambas no complexo de Vargem Grande.

Briquetagem: A Vale está avançando na linha de briquete, buscando um novo sistema de dosagem. A instalação da quarta máquina de briquete na mesma linha, juntamente com um novo mix disponível, deve ser concluída em outubro/novembro do próximo ano. Esta tecnologia é crucial para o futuro da descarbonização e para aumentar a produtividade e a qualidade dos produtos.

A Vale está utilizando tecnologia e inovação para melhorar a eficiência operacional e a qualidade do produto:

Conceição II (Itabira) - Planta Modelo: Foi selecionada como a planta modelo da Vale. O projeto adota tecnologias avançadas como Inteligência Artificial (IA), Gen-IA, processamento de imagem, gêmeos digitais e um sistema de controle muito sofisticado. Os resultados preliminares são animadores: aumento de 10% na taxa diária de produção e um aumento de 38% na produção de feed de redução direta. O start-up desta usina está previsto para o final de dezembro de 2025.

Disseminação da Tecnologia Modelo: A tecnologia avançada de Conceição II está sendo implementada em Brucutu e será implementada em Vargem Grande em 2027.

Mineração Circular: Atualmente, a Vale está reprocessando rejeitos de barragens para produzir 20 milhões de toneladas de minério de ferro. A meta é que 10% da produção venha da mineração circular.

Otimização de Portfólio (Carajás): O plano de mineração em Carajás ganhou flexibilidade com um novo portfólio de produtos, o que permitiu eliminar a atividade de blending e resultou em uma redução de 4% na relação estéril/minério. Essa flexibilidade permite ajustar a oferta de produtos para maximizar o valor, dependendo das condições de mercado,.

Apesar dos investimentos em crescimento, a Vale espera manter a competitividade de custos no setor de minério de ferro:

O custo caixa C1 da Vale deve fechar este ano em torno de US$ 21,3/tonelada (dentro da meta estabelecida), com uma previsão para o próximo ano na faixa de US$ 20 a US$ 21,5/tonelada.

O custo all-in para o minério de ferro deve fechar este ano em torno de US$ 55/tonelada, com uma previsão para o próximo ano na faixa entre US$ 52 e US$ 56/tonelada.

Cobre

A Vale Base Metals (VBM) está firmemente focada em acelerar o crescimento do negócio de cobre, com a ambição de dobrar sua capacidade de produção. A meta é alcançar volumes entre 420 e 500 mil toneladas (kt) no horizonte de cinco anos, e cerca de 700 kt por volta de 2035. A estratégia é impulsionar um crescimento orgânico de alto retorno e baixa intensidade de capital.

Projetos de Curto e Médio Prazo

Bacaba: O projeto Bacaba está atualmente em fase de execução. Houve uma redução radical do CAPEX (Investimento de Capital) de US$ 500 milhões para cerca de US$ 290 milhões, representando uma economia de mais de 40%. Os trabalhos iniciais, incluindo a construção de uma estrada de 13 km e uma ponte no caminho crítico, já estão em andamento. Bacaba fica a apenas 13 km da infraestrutura existente de Sossego. A expectativa é que a licença seja anunciada ainda neste ano (2025). O projeto prevê uma produção de ~50 ktpa (média da Vida Útil da Mina, LOM), com start-up esperado para o primeiro semestre de 2028 (1S28). A Taxa Interna de Retorno (TIR) é superior a 50%.

Salobo CPF (Flotação de Partículas Grossas): Trata-se de uma oportunidade brownfield (expansão de uma área existente) com o projeto detalhado já concluído. O projeto de Flotação de Partículas Grossas em Salobo irá adicionar +30 ktpa de cobre. O CAPEX estimado é de US$ 225 a 275 milhões. A iniciativa aumentará a capacidade de processamento em cerca de 6 Mtpa e deve reduzir o consumo de energia em aproximadamente 10%. Os retornos são descritos como excelentes, com TIR superior a 50%. O start-up é esperado para 2029.

Projetos de Longo Prazo

Alemão: Previsto para entrar em operação em 2030. O projeto foi redesenhado de sublevel caving para sublevel stoping, o que mitigou o risco de licenciamento e permitiu uma economia de cerca de US$ 500 milhões em CAPEX. Alemão será um ativo de primeiro quartil e é esperado que produza ~80 ktpa de cobre e ~140 kozpa de ouro. A licença foi submetida em novembro deste ano (2025).

Joint Venture (JV) com a Glencore (Sudbury, Canadá): Foi fechado um acordo com a Glencore para explorar sinergias na Bacia de Sudbury. O objetivo é utilizar a infraestrutura de shaft existente da Glencore para acessar corpos de minério ricos em cobre e polimetálicos. A parceria permitirá explorar ativos de alto retorno que nenhuma das partes conseguiria desenvolver individualmente. A TIR esperada é superior a 15% e o start-up está previsto para após 2030. A participação da Vale será de 50%, com uma produção esperada de ~21 ktpa de cobre (share da VBM).

Crescimento Brownfield e Exploração

O crescimento de longo prazo da Vale Base Metals será fortemente suportado pela exploração brownfield em ativos existentes.

Intensificação da Sondagem: A Vale realocou capital dinamicamente para sondagem e cobre no Pará, aumentando o número de sondas de 8 para 23 no último ano. O objetivo é realizar entre 100 e 110 mil quilômetros de perfuração por ano.

Potencial de Crescimento: O esforço de perfuração brownfield na região de Carajás está revelando descobertas promissoras em profundidade. Por exemplo, abaixo da cava Sequeirinho em Sossego, foram encontrados interceptos significativos, como 30 metros com 5% de cobre. A Vale acredita que esse potencial de perfuração pode gerar um aumento de produção orgânica de até 20% após 2035.

Transparência: A VBM publicará estudos técnicos SK-1300 no início do próximo ano (2026) para fornecer detalhamento técnico completo sobre a trajetória de crescimento orgânico. O foco em projetos brownfield permite um desenvolvimento mais eficiente, com taxas de retorno drásticas e intensidade de capital abaixo da média da indústria.

Níquel

A Vale Base Metals (VBM) tem mantido um foco rigoroso na disciplina de capital e na eficiência operacional para enfrentar as condições desafiadoras do mercado de níquel, com o objetivo de transformar o negócio no mais eficiente possível, garantindo sua posição estratégica como fornecedora ocidental de níquel de alta pureza.

A estratégia atual tem se concentrado na entrega disciplinada de projetos de infraestrutura e na otimização de custos, visando estabilizar a produção e atingir o ponto de equilíbrio (cash break-even).

Projetos Colocados em Operação (Ramp-up)

A Vale conseguiu colocar dois projetos críticos no negócio de níquel em operação, que foram fundamentais para reduzir os custos All-in do segmento:

Expansão de Voisey's Bay (VBME): Este projeto crítico entrou em operação. O ramp-up da VBME está 20 a 30% adiantado em relação ao cronograma. Este avanço permitiu que a refinaria de Long Harbour atingisse sua capacidade nominal pela primeira vez em 11 anos. O foco continua sendo o ramp-up e a estabilização total dessas operações.

Onça Puma (Segundo Forno): O segundo forno foi colocado em operação no prazo e 13% abaixo do orçamento. A operação de Onça Puma agora utiliza dois fornos.

Otimização Operacional e Metas de Eficiência

O foco da VBM é estabilizar as operações e impulsionar a taxa de processamento para diluir o custo unitário dentro da cadeia de valor:

Meta de Cash Break-even: A principal prioridade tem sido garantir que o negócio de níquel chegue ao break-even do fluxo de caixa operacional até o final de 2026 ou início de 2027, mantendo o CAPEX operacional.

Economia de Custos: O programa de eficiência e os projetos em ramp-up resultaram em aproximadamente US$ 240 milhões em economia no negócio de níquel em 2025, incluindo a redução de despesas gerais e administrativas (G&A), custos e capital.

Sudbury: O plano é aumentar a taxa de processamento na usina de Sudbury. A expectativa é que a usina processe pouco mais de 5 milhões de toneladas em 2025, o que seria a primeira vez desde 2016.

Esses esforços visam garantir que o portfólio de níquel opere com capacidade otimizada, mantendo o "enorme valor de opção" que ele representa, dado seu posicionamento único, especialmente para o Hemisfério Ocidental. A produção esperada de níquel para 2025 é de cerca de 175 kt.