Brasil participa de evento na Suécia sobre planejamento de fechamento de minas

Especialistas discutem como previsibilidade regulatória e inovação podem transformar o legado ambiental e econômico da mineração

Por Conexão Mineral 30/09/2025 - 20:08 hs
Foto: ANM
Brasil participa de evento na Suécia sobre planejamento de fechamento de minas
Fabio Perlatti apresentando seu painel no Mine Closure 2025

O fechamento de minas deixou de ser apenas um capítulo final da atividade para tornar-se parte essencial de sua própria concepção. Essa mudança foi o foco do encontro internacional ACG Mine Closure 2025, realizado em Luleå, na Suécia, que reuniu especialistas, gestores públicos e representantes da indústria para debater como planejar, monitorar e devolver áreas mineradas de forma sustentável.

O Brasil marcou presença com uma comitiva técnica formada pelo diretor Roger Cabral, acompanhado por Fábio Perlatti, gerente de Sustentabilidade e Fechamento de Mina, Fernando Kutchenski, chefe da Divisão de Fechamento de Mina e Uso Futuro, Rodrigo Stutz, chefe da Divisão de Minas Abandonadas e Suspensas, e José Carneiro, gerente de Fiscalização.

Perlatti e Kutchenski subiram ao palco do evento para apresentar a experiência brasileira. A exposição destacou a evolução normativa do país, os desafios ligados às minas abandonadas e a importância de antecipar estratégias de fechamento ainda no início da vida útil dos  empreendimentos.

Segundo a literatura internacional, a etapa de fechamento é uma das mais onerosas da mineração, demandando monitoramento prolongado e soluções técnicas sofisticadas. A World Bank Mining Practice e o ICMM (International Council on Mining and Metals) destacam que a ausência de planejamento pode gerar impactos ambientais e sociais por décadas, em especial em regiões tropicais, mais vulneráveis à erosão, drenagem ácida e contaminação de cursos de água.

Estudos recentes ressaltam ainda o potencial de inovações como os Technosols — solos artificiais produzidos a partir de rejeitos — que podem permitir a reintegração de áreas degradadas, sequestrar carbono e criar alternativas produtivas em territórios minerados.

No evento, o diretor Roger Cabral, que liderou a missão brasileira, ressaltou a importância de alinhar o país às melhores práticas internacionais: “O fechamento de minas precisa ser compreendido como parte do ciclo econômico e social da mineração. Ao fortalecer nossas estruturas técnicas e regulatórias, estamos construindo previsibilidade para investidores, mas também responsabilidade para com a sociedade e o meio ambiente. Esse é um passo decisivo para melhorar a gestão do patrimônio mineral brasileiro”, afirmou Cabral.

A qualificação internacional, segundo ele, é essencial para que o Brasil avance no desenho de políticas que conciliem exploração mineral e devolução responsável das áreas. “A experiência sueca demonstra que planejamento antecipado e transparência no diálogo com comunidades locais são fatores decisivos para o sucesso”, completou.

Desafios e oportunidades

O Brasil enfrenta uma defasagem histórica de servidores especializados e carrega um passivo de estruturas de rejeitos e pilhas de estéril. Nesse cenário, a incorporação de metodologias internacionais pode reduzir custos, acelerar processos de licenciamento e aumentar a segurança jurídica para empreendedores.

A previsibilidade do fechamento de minas também tem implicações macroeconômicas: reduz a incerteza de investidores e evita que ativos minerais sejam explorados sem um horizonte claro de recuperação ambiental. No plano social, garante que comunidades não fiquem à margem de passivos perigosos, como barragens desativadas ou áreas contaminadas.

O encontro internacional reforçou a necessidade de colaboração entre governos, indústria e academia. Países como Canadá e Austrália já incorporam o fechamento no planejamento desde o início da operação, prática que se torna tendência global.

Para o Brasil, a participação em fóruns como o Mine Closure 2025 é um sinal de compromisso em alinhar-se a essa agenda. “O futuro da mineração depende de como encerramos seus ciclos. Mais do que uma exigência técnica, trata-se de uma responsabilidade ética com as próximas gerações”, concluiu Roger Cabral.