Plantio de café em área minerada pela CBA gera lavoura com produtividade 30% acima da média
Estudo revela que combinação de técnicas agrícolas aplicadas na reabilitação de áreas de mineração de bauxita contribui para a melhoria de produtividade agropecuária
Em um terreno usado para a extração de bauxita, em Miraí (MG), um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV) iniciou um estudo em parceria com a Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) para restabelecer o plantio de café. A partir da aplicação de técnicas, o grupo observou melhorias consideráveis na produtividade da lavoura que fica 30% maior do que a média regional e superando também o índice nacional.
Para a recuperação da área minerada, o grupo, que iniciou o trabalho em 2008, combinou técnicas de reconformação topográfica das minas exauridas, com os corretivos e fertilizantes do solo, adubação orgânica e o uso de fertilizações naturais através de plantas de cobertura, como leguminosas e gramíneas. “Um dos diferenciais do experimento foi a utilização de técnicas que não fossem distantes da realidade dos produtores rurais. Além de recuperar o solo minerado, o uso da cama de aviário gera aproveitamento do resíduo da avicultura industrial”, conta o coordenador da pesquisa, professor Ivo Ribeiro da Silva.
Tendo como um de seus pilares o desenvolvimento sustentável, a CBA tem investido em três linhas de pesquisa com a UFV, que desenvolvem projetos de aprimoração de seus processos de reabilitação das áreas mineradas na zona da mata mineira. Ao longo dos 10 anos ininterruptos de pesquisa e desenvolvimento, a CBA foi incorporando em seus procedimentos as melhorias obtidas nas áreas experimentais.
A pesquisa foi publicada na Land Degradation and Development, revista científica de maior importância internacional na área de reabilitação ambiental. “Esta publicação no periódico Land Degradation and Development reforça a qualidade dos trabalhos desenvolvidos nos diversos projetos da parceria com a UFV, qualificando sua operação em âmbito internacional. Vale ressaltar que além de aprimorar suas técnicas a CBA colabora para formação de cientistas com vivência industrial, além de gerar um grande beneficio para o meio ambiente pois tada a tecnologia é pública, podendo ser utilizada pelo poder público e pela iniciativa privada”, destaca o gerente da unidade CBA na Zona da Mata mineira, Christian Fonseca de Andrade.
Desde 2008, a CBA desenvolve um modelo de restauração do solo que vem estabelecendo uma ótima relação entre a mineração e o meio ambiente. Com as pesquisas e projetos realizados no âmbito da restauração florestal, a empresa vem contribuindo também para a melhoria da paisagem da zona da mata. “Hoje já é possível ver um reflexo destes processos de reabilitação entre os produtores da região. Por serem técnicas acessíveis, os produtores rurais estão aplicando nos seus processos de cultivo”, comenta Christian.
De acordo com um dos autores do artigo, Ivan Francisco de Souza, o experimento demonstra que é possível recuperar um solo minerado com eficiência e sustentabilidade. “O experimento revela que, com práticas adequadas de manejo de solo e adubação, é viável plantar café com uma ótima produtividade em áreas que foram mineradas”, completa Ivan.
O estudo apontou, ainda, que a aeração do solo e o sistema de drenagens aplicado pela Mineradora, somado ao uso adequado das práticas de manejo, contribui para conservar a água no terreno, aumentando a infiltração no solo. “Em cenários de mudanças climáticas, um sistema que possibilita realizar o sequestro do carbono e a redução da erosão é um ganho direto para a sociedade”, destacou o professor Ivo.
Em 2017, na linha de pesquisa de Conservação Hídrica, foi comprovado cientificamente que o escoamento de água de chuva sobre o solo, em áreas mineradas e reabilitadas, é menor que em áreas ainda não mineradas no cultivo de eucalipto. Ou seja: o solo mantém uma boa absorção, retendo água de chuva e permanecendo produtivo para o plantio. A pesquisa foi realizada pelo engenheiro florestal Lucas Jesus da Silveira, que usou como base as áreas mineradas e reabilitadas pela CBA, atestando que, após o processo de mineração, que ocorre em topos e encostas de morros, o escoamento superficial é de 0,17%. Isso representa um volume três vezes menor do que o que ocorre em áreas de cultivo de eucalipto da região.























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