Cadeia do calcário movimenta cerca de R$ 3 bilhões em Pains (MG) e região
Produção anual de 10 a 15 milhões de toneladas por ano abastece mercados nacional e internacional
Produção anual de 10 a 15 milhões de toneladas por ano abastece mercados nacional e internacional
A cadeia do calcário e da cal tem peso expressivo na economia de Pains e dos municípios vizinhos. A produção, entre 10 e 15 milhões de toneladas anuais, abastece o mercado nacional e é exportada para países da América do Sul, como Paraguai, chegando ainda ao continente africano. A principal riqueza da região, movimenta cerca de R$ 3 bilhões por ano no território.
A dimensão dessa atividade econômica esteve no centro das preocupações de representantes do setor produtivo e de gestores municipais durante o debate sobre a proposta de criação do Parque Estadual da Pedra do Cálice. O Projeto de Lei n.º 5.724/2026 previa uma unidade de conservação de 9.253 hectares, abrangendo áreas de Pains, Pimenta e Córrego Fundo, com impactos a empresas responsáveis por aproximadamente 11 milhões de toneladas anuais. A proposta foi retirada de tramitação na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) em 14 de outubro, após reação contrária nas cidades abrangidas.
A discussão também os possíveis efeitos das restrições previstas sobre a mineração, a indústria de calcário e cal, a produção rural e os serviços ligados a esses setores. Em Pains, a cadeia produtiva do calcário e da cal teve papel importante no desenvolvimento econômico das últimas décadas e responde por cerca de 60% do Produto Interno Bruto (PIB) do município.
Na cidade, 2.943 trabalhadores estão ligados a atividades que poderiam ser afetadas, número equivalente a 82,47% das pessoas ocupadas. Nos três municípios que seriam afetados pela proposta, um levantamento com base nos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou 5.132 pessoas empregadas em segmentos que seriam potencialmente impactados. Em Córrego Fundo, por exemplo, conforme declaração do prefeito Danilo Oliveira Campos, a produção de calcário emprega aproximadamente 60% da mão de obra.
O presidente da Câmara Municipal de Córrego Fundo, Romário José da Costa, destacou durante o debate que a preocupação vai além da mineração. “Estamos falando de empresas, de produtores rurais, prestadores de serviços e principalmente, de trabalhadores e famílias que dependem dessas atividades”, afirmou.
Impactos nas operações
Entre os pontos levantados pelos críticos do projeto, que teve 800 votos contrários em consulta pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) contra apenas 13 favoráveis, até a retirada de pauta, estava a possibilidade de paralisação das atividades até a conclusão do plano de manejo da unidade de conservação. Representantes do setor mineral estimaram que esse processo poderia levar até dez anos, período em que todas as atividades, incluindo a produção rural, estariam sujeitas a restrições. Aproximadamente 80 projetos ambientais poderiam ser suspensos, caso a proposta avançasse na ALMG.
Polo de produção de calcário ameaçado
O prefeito de Córrego Fundo, Danilo Oliveira Campos, afirmou que a atividade tem importância para além dos limites do município. “Somos o maior polo da produção de cal virgem de Minas Gerais. Isso significa muito não só para o meu município como para todo o território”, declarou. O chefe do Executivo também reforçou a importância da atividade econômica ao sustento das famílias e às condições de acesso à educação dos filhos.
Em Pains, o prefeito Itamar Rafael de Castro também manifestou preocupação com os possíveis efeitos da criação do parque sobre a economia local. “Seria um impacto muito grande, iria acabar com a cidade. Não somos contra o meio ambiente, somos contra acabar com a cidade, seria isso que aconteceria”, avaliou Itamar.
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