Lithium Ionic apresenta a gestão social e ambiental do Projeto Bandeira no Lithium Business 2026
Em fase de licenciamento ambiental, o projeto está localizado entre Araçuaí e Itinga, no Vale do Jequitinhonha
A gestão social e ambiental do Projeto Bandeira, da Lithium Ionic, foi apresentada como um dos principais eixos estratégicos do empreendimento durante o Lithium Business 2026, realizado dia 9/7, em Salinas (MG). Em fase de licenciamento ambiental, o projeto, localizado entre Araçuaí e Itinga, no Vale do Jequitinhonha, tem estruturado ações voltadas ao relacionamento com comunidades, transparência, monitoramento ambiental e desenvolvimento local antes mesmo do início das operações.
Durante a apresentação, os gerentes de Relações Comunitárias e Sociais, André Vasconcelos, e de Meio Ambiente, Paulo Henrique Lima, defenderam que a mineração contemporânea exige planejamento integrado entre engenharia, meio ambiente e responsabilidade social.
Gestão social acompanha o amadurecimento do projeto
Segundo André Vasconcelos, a atuação social não pode começar apenas quando a mina entra em operação, mas deve acompanhar todas as etapas de desenvolvimento do projeto. "O amadurecimento da área social acompanha o amadurecimento do projeto. Hoje ela começa cada vez mais cedo, desde a fase de pesquisa mineral e do licenciamento", afirmou.
Com quase três décadas de atuação em projetos minerários no Brasil e no exterior, o gerente criticou uma visão antiga do setor segundo a qual haveria uma "fase de lua de mel" entre empresa e comunidade antes da implantação da mina. "O casamento começa na hora em que a gente chega. Quando sentamos com a comunidade no início do projeto, já assumimos compromissos. E, se esses compromissos não forem cumpridos, esse relacionamento fracassa."
Pressão por transparência mudou a mineração
Para Vasconcelos, o cenário atual é completamente diferente das décadas passadas. Segundo ele, fatores sociais e ambientais passaram a influenciar diretamente o valor dos empreendimentos. "As questões socioambientais influenciam cada vez mais a geração de valor dos negócios. Se isso não for tratado desde a concepção do projeto, podemos destruir valor tanto para os acionistas quanto para a sociedade."
O gerente destacou que o acesso à informação tornou as comunidades mais preparadas para discutir projetos minerários. "Não existe mais espaço para chegar a uma comunidade imaginando que ela está desinformada. Hoje o diálogo é técnico, qualificado e exige coerência entre discurso e prática."
Ele também alertou para os riscos de práticas de greenwashing, ressaltando que a credibilidade das empresas depende da transparência em todas as etapas do projeto.
Desenvolvimento local deve começar antes da operação
Outro ponto defendido foi a necessidade de preparar previamente trabalhadores e fornecedores locais. Segundo Vasconcelos, a empresa pretende investir na qualificação profissional e empresarial para ampliar a participação da região nas futuras oportunidades geradas pela mineração. "Não basta dizer que só vai contratar mão de obra qualificada ou fornecedores preparados. A empresa precisa participar desse processo de qualificação desde o início."
Ele acrescentou que fortalecer fornecedores e trabalhadores locais também representa ganhos econômicos para o próprio empreendimento. "Isso é geração de valor compartilhado. É mais eficiente contratar pessoas e empresas da própria região, desde que elas sejam preparadas para isso."
Consulta à comunidade quilombola entra na fase final
Grande parte da apresentação foi dedicada ao processo de Consulta Livre, Prévia e Informada junto à comunidade quilombola do Baú, localizada na área de influência do Projeto Bandeira. Segundo Vasconcelos, o processo teve início em novembro de 2025, seguindo as diretrizes da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e do Incra.
Após a aprovação do plano de trabalho pela comunidade, foram realizados estudos sobre impactos sociais e ambientais percebidos pelos moradores, oficinas participativas e a construção do Plano Básico Ambiental Quilombola (PBAQ). Ao todo, foram identificadas 16 percepções de impactos socioambientais e elaborados cinco programas compostos por 35 projetos voltados à mitigação e compensação dos impactos.
O gerente destacou que o processo vai além de uma exigência legal. "Fazemos isso porque acreditamos que é o caminho certo. Não é uma obrigação burocrática." Segundo ele, um dos momentos mais marcantes ocorreu durante o diálogo com lideranças da comunidade. "Uma liderança nos disse: 'Quando vocês nos consultam, mostram que nós somos importantes'. Isso demonstra o quanto o respeito e o diálogo fazem diferença."
Processo mobilizou centenas de pessoas
De acordo com a empresa, a consulta envolveu: mais de 3.800 horas de trabalho da consultoria especializada; cerca de 900 horas da equipe técnica da Lithium Ionic; 39 encontros realizados; mais de 400 horas de atividades diretamente com a comunidade; aproximadamente 700 pessoas mobilizadas; participação de 26 profissionais.
A expectativa é que, após manifestação do Incra, seja realizada a reunião final de validação do processo, permitindo o avanço do licenciamento ambiental.
Jovens da comunidade devem acompanhar monitoramento ambiental
Entre as medidas previstas no Plano Básico Ambiental Quilombola está a capacitação de jovens da comunidade para acompanhar o monitoramento ambiental da futura mina.
Segundo Vasconcelos, eles poderão acompanhar indicadores como ruído, poeira e vibração. "Queremos que a comunidade acompanhe o monitoramento ambiental conosco. Não temos receio da transparência. Se errarmos, precisamos corrigir rapidamente."
Gestão ambiental aposta em tecnologia e monitoramento em tempo real
Na sequência da apresentação, o gerente de Meio Ambiente, Paulo Henrique Lima, detalhou como será estruturada a gestão ambiental do Projeto Bandeira.
Segundo ele, a prioridade, nesta fase de licenciamento, é o planejamento dos sistemas de controle que serão utilizados durante a implantação e operação da mina. A proposta prevê monitoramento automático e em tempo real de indicadores como: qualidade do ar; ruído; vazão e qualidade da água; parâmetros meteorológicos; estabilidade geotécnica das pilhas.
Segundo Lima, a intenção é que esses dados sirvam não apenas para atender exigências dos órgãos ambientais, mas também como ferramenta permanente de gestão. "Queremos utilizar essas informações para identificar tendências e corrigir desvios antes que eles aconteçam. A tecnologia será uma ferramenta de gestão, controle e resposta." Ele afirmou que a empresa pretende disponibilizar essas informações também para a população. "O monitoramento em tempo real aumenta a rastreabilidade, a transparência e a segurança da gestão ambiental, permitindo que a comunidade acompanhe o desempenho do empreendimento."


























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