Mineração verde surge como motor da transição energética global e exige conexão com comunidades locais
Líderes e especialistas apontam caminhos para alinhar investimentos ESG internacionais à geração de prosperidade real nas regiões mineradoras
Líderes e especialistas apontam caminhos para alinhar investimentos ESG internacionais à geração de prosperidade real nas regiões mineradoras
O papel indispensável da mineração para a descarbonização global, a atração de investimentos verdes e o alinhamento das expectativas internacionais com o desenvolvimento socioeconômico das comunidades locais foram os eixos centrais dos debates no painel sobre Mineração Verde e Transição Energética, realizando no ciclo de debates do CNN Talks | Nova Era da Mineração, promovido pela CNN Brasil, na última terça-feira.
O debate evidenciou que a descarbonização da economia global depende profundamente do setor mineral. Para além do fornecimento de insumos essenciais, a própria atividade mineradora passa por uma profunda transformação interna. José Celso Martins, conselheiro da Cedro Participações, destacou a viabilidade prática dessa transição na cadeia produtiva.
“Você pode reduzir a emissão de carbono na própria mineração substituindo os caminhões combustível por caminhões elétricos e produzir minérios de maior qualidade que vão gerar menos emissão de carbono”, explicou o executivo.
Essa transição reposiciona a indústria de extração perante a opinião pública e o mercado financeiro, alterando profundamente a percepção sobre a atividade. Para o diretor do Instituto Brasileiro de Mineração, Pablo Cesário, o setor vive um momento de virada institucional. “A mineração precisa ser vista como setor que é portador de futuro, que dá pra nossa sociedade duas coisas fundamentais, que é como a gente constrói prosperidade e como a gente constrói sustentabilidade”, afirmou o diretor.
A ponte entre a agenda global e o impacto local
Contudo, os participantes do debate alertaram que as metas climáticas internacionais correm o risco de isolamento se não gerarem valor tangível para as populações vizinhas aos projetos. Thiago Toscano, CEO da Itaminas, ressaltou que o engajamento social depende diretamente da territorialização do discurso ambiental.
“Se a gente falar descarbonização, mas não conectar com a localidade, a percepção das pessoas não vai mudar. A gente precisa progredir na visão mundial na conexão da mineração com a agenda global, mas a conexão da mineração com a agenda local”, ponderou o CEO.
O momento atual configura uma janela de oportunidade única para o Brasil, impulsionada pela busca global por segurança de suprimentos sustentáveis e novos marcos regulatórios. Flora Bitancourt, Chief Impact Officer da World Climate Foundation, enfatizou que o mercado externo está pronto para apoiar as mineradoras que apresentarem governança sólida.
“A agenda global está chamando o setor da mineração para atuarem e para fazer parte. Construção de um ambiente regulatório saudável, construção de padrões que o investidor consiga entender como o setor está se responsabilizando e trazendo processos claros e métricas ESG”, concluiu Bitancourt.
Licença para operar
Durante o painel "Minerais: licença para operar e territórios para transformar", Vilmar Simões, diretor-presidente do Serviço Geológico do Brasil (SGB), destacou que a geração de conhecimento geocientífico é um dos principais fatores para ampliar a competitividade do Brasil e atrair investimentos para o setor mineral.
Durante o debate, o diretor-presidente ressaltou que o SGB é responsável pela produção dos dados geocientíficos pré-competitivos do país, por meio de levantamentos geológicos, geofísicos e geoquímicos. “Essas informações permitem identificar áreas com maior potencial para a ocorrência de minerais, incluindo os minerais estratégicos. Isso reduz as incertezas nas etapas iniciais da pesquisa mineral. Nossos dados também subsidiam políticas públicas, o planejamento territorial e a gestão sustentável dos recursos minerais”, explicou.
Vilmar Simões também destacou que o Brasil reúne condições para assumir protagonismo na cadeia global de minerais estratégicos, em razão de sua diversidade geológica, de suas reservas minerais e da qualidade das informações produzidas pelo SGB. “Ocupamos posições de destaque mundial em minerais estratégicos, como nióbio, grafita, níquel, manganês e terras raras”, ressaltou.
O diretor-presidente enfatizou que os projetos desenvolvidos pela instituição estão alinhados às diretrizes do Governo Federal, por meio do Ministério de Minas e Energia (MME), e aos instrumentos de planejamento do setor mineral, como o Plano Nacional de Mineração e os Planos Decenais de Mapeamento Geológico e de Pesquisa de Recursos Minerais (PlanGeo). Simões enfatizou que o apoio do ministro Alexandre Silveira tem sido fundamental para o avanço e fortalecimento dos projetos.
Cadastre seu email e receba nossos informativos e promoções de nossos parceiros.
Cedro investirá em avançado Transportador de Correia de Longa Distância em Mariana (MG)
Superior amplia fornecimento de rolos de poliuretano para transportadores de correia
Mineração verde surge como motor da transição energética global e exige conexão com ...
SGB participará de grupos estratégicos no Conselho Nacional de Política Mineral
ANM lança guia para o Registro de Extração para minerais utilizados em obras públicas
Mineração verde surge como motor da transição energética global e exige conexão com ...
Cedro investirá em avançado Transportador de Correia de Longa Distância em Mariana (MG)
SGB participará de grupos estratégicos no Conselho Nacional de Política Mineral
Conexão Mineral - Notícia mais lida na Conexão Mineral em junho de 2026
Women in Mining Brasil - Quem inspira a mineração merece reconhecimento!