CSN registrou EBITDA Ajustado de R$ 2,6 bilhões no primeiro trimestre do ano

Por Conexão Mineral 15/05/2026 - 13:57 hs
Foto: CSN

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) apresentou seus resultados do primeiro trimestre de 2026, destacando-se pela resiliência operacional frente a um período de intensas chuvas e desafios de mercado. O EBITDA Ajustado do grupo atingiu R$ 2,6 bilhões, um crescimento de 5,5% em relação ao primeiro trimestre de 2025, impulsionado principalmente pelo desempenho recorde do segmento de cimentos e pela solidez em logística. Embora a receita líquida de R$ 10,6 bilhões tenha sofrido uma redução de 7% comparada ao trimestre anterior devido à sazonalidade, a empresa registrou uma melhora em seu prejuízo líquido, que ficou em R$ 555 milhões, beneficiado por créditos de impostos diferidos. Além disso, a CSN avançou em sua estratégia de desalavancagem, reduzindo o indicador dívida líquida/EBITDA para 3,36x.

No setor de siderurgia, o início do ano foi marcado por um cenário desafiador, com os meses de janeiro e fevereiro apresentando volumes de vendas fracos devido à pressão de produtos importados e baixo dinamismo comercial. Entretanto, o mês de março demonstrou uma recuperação significativa, respondendo por 49% das vendas totais do trimestre, o que sinaliza uma tendência positiva para o restante do ano. O EBITDA Ajustado do segmento foi de R$ 393,4 milhões, com uma margem de 7,0%, refletindo a volatilidade de preços e o impacto do câmbio na competitividade do aço nacional.

A produção de placas na Usina Presidente Vargas totalizou 764 mil toneladas, uma queda influenciada pela sazonalidade e pela parada de manutenção programada de um alto-forno. Apesar da retração anual de 2,5% nas vendas totais de aço, o mercado interno mostrou sinais de melhora em março, impulsionado pelos primeiros efeitos de medidas de defesa comercial e pela força do setor automotivo, que produziu 634,7 mil veículos no trimestre,. A empresa projeta uma rentabilidade crescente para os próximos períodos, fundamentada em volumes e preços mais robustos no mercado doméstico.

Na mineração, a CSN Mineração (CMIN) demonstrou eficiência ao manter o crescimento da produção própria e dos embarques, mesmo diante de índices pluviométricos críticos em Minas Gerais. O EBITDA Ajustado do segmento alcançou R$ 1,37 bilhão, com uma margem sólida de 43,1%, patamar superior aos trimestres anteriores,. Esse resultado foi sustentado pela manutenção do preço do minério de ferro em níveis elevados e por uma melhora no mix de produtos exportados, compensando o aumento nos custos de frete marítimo.

O volume de vendas de minério atingiu 9,6 milhões de toneladas, enquanto o terminal portuário TECAR estabeleceu um novo recorde de embarques para um primeiro trimestre, com 8,7 milhões de toneladas. A produção própria de minério cresceu 6,4% na comparação anual, o que evidencia a excelência operacional da companhia e sua capacidade de mitigar impactos climáticos. O custo C1 ficou em US$ 23,1/t, sofrendo impacto da apreciação cambial e de custos logísticos, mas sendo parcialmente diluído pelo maior volume produzido.

O segmento de cimentos foi o grande destaque do período, atingindo o maior EBITDA de sua história, totalizando R$ 392,5 milhões no 1T26. Este desempenho recorde resultou em uma margem EBITDA de 31,2%, ultrapassando o patamar estratégico de 30%,. O sucesso do setor é atribuído à estratégia de priorizar a rentabilidade e os preços em detrimento do volume, aproveitando a resiliência da demanda doméstica impulsionada por programas habitacionais como o Minha Casa Minha Vida.

Mesmo com a sazonalidade típica do início do ano, a receita líquida do cimento somou R$ 1,25 bilhão, um crescimento de 14% em relação ao primeiro trimestre de 2025. A gestão destaca que a verticalização total da operação e o uso de plantas modernas permitem um controle rigoroso de custos, consolidando o segmento como um pilar fundamental de crescimento para o Grupo CSN em 2026. O cenário para os próximos meses permanece otimista, com expectativa de alta utilização da capacidade produtiva.

Projeto P15

O projeto P15 consolidou-se como o eixo central dos investimentos da CSN Mineração no início de 2026. Situado no portfólio de projetos estratégicos, o P15 recebeu aportes significativos que ajudaram a manter o CAPEX da companhia estável em R$ 1,1 bilhão no trimestre, compensando a redução de gastos na área de siderurgia,. O avanço constante das obras do P15 é visto pela administração como um passo fundamental para sustentar o crescimento da produção própria de minério, garantindo a expansão da capacidade produtiva da empresa.

A importância do P15 para a CSN reside na sua capacidade de ampliar a eficiência operacional e garantir que a empresa atinja suas metas de produção (guidance) mesmo em períodos climáticos desafiadores. Ao focar recursos nesta expansão estratégica, a companhia reforça sua estrutura de ativos diversificados, permitindo que a rentabilidade do segmento de mineração equilibre a volatilidade de outros mercados, como o do aço,. O projeto é, portanto, um dos pilares que sustenta a confiança da gestão em uma performance financeira sólida e crescente para os próximos exercícios,.

Em relação aos investimentos gerais, a CSN alocou R$ 1,12 bilhão em CAPEX durante o primeiro trimestre de 2026, volume que, apesar de ser 44,9% menor que o do trimestre anterior devido à sazonalidade de manutenção, permaneceu estável na comparação anual,. Além do investimento físico, a companhia concluiu movimentações estratégicas para sua estrutura de capital, como um empréstimo ponte de US$ 1,2 bilhão firmado com um sindicato de bancos.

Este recurso financeiro, que tem a operação de cimentos como principal garantia, será destinado integralmente ao abatimento de dívidas de curto e médio prazos e ao alongamento do cronograma de amortização. A administração também reafirmou que o plano de venda de ativos anunciado em janeiro segue com forte interesse de investidores, superando as expectativas iniciais. Essas iniciativas, somadas à manutenção de um caixa robusto de R$ 14,6 bilhões, visam fortalecer a saúde financeira do grupo para os desafios futuros.