Votorantim Cimentos teve lucro líquido de R$ 3,2 bilhões em 2025, aumento de 196% em relação ao ano anterior

Por Conexão Mineral 18/03/2026 - 20:32 hs
Foto: Votorantim Cimentos
Votorantim Cimentos teve lucro líquido de R$ 3,2 bilhões em 2025,  aumento de 196% em relação ao ano anterior
Fábrica da Votorantim Cimentos em laranjeiras, em Sergipe

A Votorantim Cimentos encerrou 2025 com lucro líquido de R$ 3,2 bilhões, aumento de 196% em relação a 2024. A companhia encerrou 2025 com avanço de resultados, refletindo sua diversificação geográfica e de produtos. A receita líquida global foi de R$ 29,4 bilhões no ano passado, um crescimento de 9% em relação a 2024, excluindo variação cambial, devido, principalmente, à performance positiva no volume de vendas, dinâmica de preços e avanço no crescimento de receitas de novos negócios. O volume total de vendas de cimento somou 37 milhões de toneladas em 2025, crescimento de 5% em relação ao comercializado no ano anterior.

O EBITDA ajustado foi de R$ 7 bilhões, um crescimento de 7% na comparação com 2024, em moeda local. O resultado evidencia a resiliência e a eficiência operacional da companhia, que apresenta avanços consistentes e consecutivos nos últimos anos. A Margem EBITDA alcançou 24% no ano, estável em relação a 2024.

No ano passado, os investimentos (Capex) da Votorantim Cimentos totalizaram R$ 3,7 bilhões, crescimento de 14% em relação a 2024. Esse aumento foi viabilizado pela robustez e disciplina financeira da companhia e está alinhado à estratégia global de investimentos em descarbonização, competitividade e novos negócios. Em relação ao plano de investimentos de R$ 5 bilhões para o período de 2024 a 2028 no Brasil, R$ 2,7 bilhões já estão em execução, com um programa abrangente de crescimento, descarbonização e competitividade estrutural.

Entre as iniciativas concluídas e em andamento estão os projetos já anunciados, como as novas moagens em Salto de Pirapora (SP), Edealina (GO) e Nobres (MT), os investimentos de modernização dos fornos de cimento das fábricas de Xambioá (TO) e reativação de forno em Laranjeiras (SE), reativação de moagens de cimento que estavam paralisadas nas unidades de Esteio (RS) e Laranjeiras (SE), além da otimização operacional e logística na região Sul, possibilitando aumento relevante na disponibilidade de produto na fábrica de Rio Branco do Sul (PR). Com esses investimentos, a Votorantim Cimentos estima uma capacidade adicional em operação de 3,7 milhões de toneladas de cimento por ano já em 2026. Em fevereiro de 2025, a companhia anunciou a implantação de uma nova fábrica de argamassas em Edealina (GO) com capacidade de produção anual de 300 mil toneladas, com inauguração prevista para meados de 2027.

“A Votorantim Cimentos encerrou 2025 com mais um ano de sólida entrega operacional e financeira, registrando crescimentos consistentes e consecutivos. Essa performance reflete a força do nosso portfólio, nossa diversificação geográfica e uma estrutura de capital sólida para suportar nossa estratégia de crescimento”, afirma Osvaldo Ayres, CEO global da Votorantim Cimentos.

A Votorantim Cimentos encerrou 2025 com alavancagem, medida pela relação dívida líquida/EBITDA Ajustado, de 1,63x, diminuição de 0,03x na comparação com 2024, considerando apenas as operações continuadas.

Em abril de 2025, as agências de classificação de risco Moody’s e S&P reafirmaram os ratings globais da companhia em “Baa3” e “BBB”, respectivamente, ambos com perspectiva estável. Em setembro, a Fitch Ratings também reafirmou o rating global em “BBB”, igualmente com perspectiva estável. As três avaliações confirmam o perfil de crédito de grau de investimento da Votorantim Cimentos, refletindo sua sólida disciplina financeira e consistente estratégia de gestão de passivos.

“Ao longo de 2025, diversas iniciativas de gestão estratégica de passivos foram realizadas, focadas na redução de custo e no alongamento de prazos, tanto no mercado local, com emissões de debêntures, quanto no mercado internacional, por meio de bilaterais. A Votorantim Cimentos reduziu R$ 2,2 bilhões de dívidas, com prazo original entre 2026 e 2029, postergando os vencimentos para 2030 a 2033, além de reduzir custos. Isso nos permite seguir executando de forma disciplinada nosso plano de investimento, mantendo flexibilidade para acelerar ou reduzir o ritmo de acordo com as condições de mercado”, diz Antonio Pelicano, CFO Global da Votorantim Cimentos.

Alinhada ao seu plano de descarbonização, a Votorantim Cimentos segue avançando globalmente com projetos de ampliação da capacidade de utilização de combustíveis alternativos provenientes de biomassas e resíduos. No Brasil, a companhia concluiu a instalação do sistema de bypass em um dos fornos da unidade de Salto de Pirapora (SP), no âmbito do projeto financiado pelo IFC (International Finance Corporation), do Banco Mundial. A solução amplia a capacidade de coprocessar resíduos com maior teor de cloro, aumentando a flexibilidade operacional e contribuindo para a redução do custo térmico. Em 2025, a companhia também avançou na verticalização da Verdera, sua unidade de negócios de gestão de resíduos, com a inauguração de uma planta dedicada ao processamento de pneus inservíveis em Cuiabá (MT), reforçando a segurança de suprimento e a competitividade do coprocessamento. Na Espanha, a Votorantim Cimentos obteve resultados relevantes na agenda de descarbonização. Um dos destaques foi a unidade de Toral de los Vados que, após o investimento em um novo pré-calcinador no forno de cimento, alcançou durante um mês inteiro 80% de combustível alternativo – maior taxa de coprocessamento obtida na companhia.

Em 2025, a Votorantim Cimentos enfrentou um ambiente mais desafiador em descarbonização, principalmente devido a restrições operacionais e à menor disponibilidade de matérias-primas e combustíveis alternativos, o que pressionou temporariamente a performance ambiental no período. Ainda assim, a companhia manteve disciplina na execução de seu plano de transição climática, avançando globalmente em iniciativas de aumento do uso de resíduos e biomassas como combustíveis alternativos, eficiência energética e desenvolvimento de novas tecnologias. Ao final do ano, a companhia registrou emissão líquida de 552kg de CO2 por tonelada de cimentícios, estável com relação ao período anterior. Desde 1990, ano-base do histórico das medições, a Votorantim Cimentos já reduziu suas emissões de CO2 em 27,7%.

Em eficiência energética, a Votorantim Cimentos antecipou a entrada em operação do Parque Solar de Paracatu (MG), composto por mais de 770 mil painéis solares distribuídos em 700 hectares. O ativo passou a fornecer 100 MW médios de energia solar, elevando a participação de fontes renováveis na matriz elétrica da companhia no Brasil, reduzindo sua exposição à volatilidade de preços e fortalecendo a previsibilidade dos custos energéticos. No início do ano de 2026, foi celebrado um contrato com a Auren Energia para aquisição de energia eólica proveniente do complexo Cajuína I que irá contribuir para o abastecimento das operações no Nordeste e no Sudeste do Brasil. Com esse contrato, mais de 90% de toda a energia elétrica consumida pela Votorantim Cimentos no Brasil será proveniente de fontes renováveis.

Desempenho por região

No Brasil, a Votorantim Cimentos alcançou receita líquida de R$ 14,5 bilhões em 2025, crescimento de 13% em relação a 2024, impulsionado principalmente por maior volume de vendas, dinâmica positiva de preços e avanço no crescimento de receitas oriundas de novos negócios. Já o EBITDA ajustado da empresa no Brasil totalizou R$ 2,8 bilhões, avanço de 8% em relação a 2024. O aumento de receita líquida, parcialmente compensado pelo aumento de custos, contribuiu para o resultado, mantendo margens relativamente estáveis.

Na América do Norte, apesar de um ambiente desafiador, marcado por incertezas e volatilidades no ambiente político-econômico além de pressão de custos, a companhia entregou um resultado sólido. A receita líquida da região atingiu R$ 8,6 bilhões em 2025, avanço de 4% na comparação com 2024, excluindo variação cambial, resultado de melhora em preços e captura de resultados da aquisição de negócios em concreto e agregados realizada em 2025. O EBITDA ajustado foi de R$ 2,3 bilhões em 2025, aumento de 1%, excluindo variação cambial.

Ao longo de 2025 foram concluídos os desinvestimentos na Tunísia e no Marrocos, o que reforça a estratégia de posicionamento geográfico da companhia para rebalancear a presença entre mercados emergentes e maduros. Ainda assim, a performance da região Europa e Ásia reflete os ganhos de maior eficiência operacional na Espanha pela conclusão da captura de sinergias das aquisições realizadas nos últimos anos, além da retomada do mercado da Turquia. Também houve avanços em investimentos em ambas as regiões com foco em novos negócios, descarbonização e retomada de capacidade. A receita líquida totalizou R$ 4,5 bilhões, um aumento de 8% em 2025 em comparação a 2024, excluindo variação cambial, explicado principalmente pelo aumento de volumes. O EBITDA ajustado da região foi de R$ 1,5 bilhão, um aumento de 29% em moeda local em comparação com 2024. A melhora decorre de uma maior receita líquida e redução de custos, contribuindo para avanços de margens.

Em 2025, a Bolívia vivenciou um ambiente político complexo com reflexos na economia local e o Uruguai enfrentou desaceleração econômica. A robustez do posicionamento estratégico nesses países permitiu que a companhia tivesse vantagens de mercado, o que corroborou com a performance positiva no ano. Ainda em 2025, a empresa iniciou a produção de calcário agrícola na Bolívia. A receita líquida da Votorantim Cimentos na América Latina avançou 25% em 2025 na comparação com o mesmo período de 2024, em moeda local, decorrente de melhor dinâmica de mercado em ambos os países, mesmo em cenário macroeconômico desafiador. A região finalizou o período do 2025 com R$ 251 milhões no EBITDA ajustado, 56% maior que 2024, excluindo o efeito de variação cambial. O aumento de margem é devido à dinâmica positiva de preços e ganho de eficiências.