No Dia Internacional para a Redução das Emissões de CO2, especialistas destacam o papel da mineração na descarbonização

Por Conexão Mineral 28/01/2026 - 21:05 hs
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No Dia Internacional para a Redução das Emissões de CO2, especialistas destacam o papel da mineração na descarbonização
Dia Internacional para a Redução das Emissões de CO2 é comemorado em 28 de janeiro

A indústria de mineração vem avançando na redução de suas emissões de dióxido de carbono (CO₂) por meio da adoção de novas tecnologias, designs mais eficientes e modelos de gestão que integram sustentabilidade e produtividade. Nesse contexto, empresas globais de engenharia e consultoria, como a Ausenco, têm papel estratégico ao apoiar projetos de mineração na incorporação de soluções de descarbonização desde as fases iniciais de desenvolvimento, fortalecendo a viabilidade econômica e social dos empreendimentos.

O International Council on Mining and Metals (ICMM) destaca que o setor de mineração deve desempenhar um papel duplo: fornecer os recursos críticos essenciais para uma economia de baixo carbono, enquanto alinha suas operações ao objetivo do Acordo de Paris, de limitar o aquecimento global a bem abaixo de 2°C. 

A partir de designs sustentáveis, soluções digitais, ferramentas de medição e análises de ciclo de vida, são criadas oportunidades concretas de redução de emissões. Essa abordagem inclui a otimização da eficiência energética, a redução da intensidade de materiais, a seleção de materiais de menor impacto, a agilidade logística, a integração de fontes de energia limpa e a avaliação de alternativas que reduzam emissões de forma verificável nos Escopos 1, 2 e 3.

“Cada projeto de mineração tem um enorme potencial para avançar em direção a um design e operação mais eficientes, com menor pegada de carbono. Nosso objetivo é apoiar nossos parceiros do setor de mineração com soluções de consultoria e engenharia que permitam transformar esse potencial em resultados mensuráveis”, afirmou Gerson Bastos, Líder de Soluções Digitais & Descarbonização da Ausenco.

Viabilidade e gestão de riscos

A redução da pegada de carbono influencia tanto a viabilidade econômica quanto a aceitação social de projetos de mineração. Designs mais compactos e eficientes podem reduzir CAPEX e OPEX, além de minimizar impactos associados à logística, fortalecendo a sustentabilidade financeira do projeto e facilitando o acesso a capital.

Antecipar riscos técnicos, operacionais e regulatórios podem impactar o valor de longo prazo do ativo, incorporando análises de ciclo de vida desde as etapas iniciais. Essa abordagem melhora a previsibilidade financeira ao reduzir riscos e aumentar a confiabilidade do ativo, diminuindo a exposição a futuros estouros de custo e fortalecendo a tomada de decisão, aspectos essenciais para investidores e instituições financeiras.

Para Mariel Palomeque, Diretora de Integração & Desempenho em Sustentabilidade da Ausenco, ao considerar critérios de sustentabilidade desde o planejamento, a empresa ajuda empresas mineradoras a determinar métricas e benchmarks relevantes de intensidade de emissões para alinhar-se às exigências de reporte e estruturas globais de divulgação climática. Essas informações fortalecem a confiança dos investidores e posicionam os clientes da empresa na vanguarda das expectativas internacionais de sustentabilidade.

“Para avançar de forma concreta rumo a operações com menor impacto ambiental, a Ausenco desenvolveu soluções que permitem integrar sustentabilidade desde as fases iniciais do projeto. Elas são apoiadas por nosso conjunto integrado de ferramentas digitais, que oferecem aos clientes um sistema unificado e altamente prático para governança ESG, gestão de emissões, planejamento de resiliência e gestão de projetos orientada por dados”, concluiu Mariel.

Contexto global e marcos regulatórios

Nos últimos anos, a indústria de mineração deu passos importantes na redução de sua pegada de carbono: eletrificação de frotas, uso de energia renovável, otimização de processos, recuperação de calor e armazenamento de energia, entre outros avanços focados em melhorar a eficiência e reduzir emissões.

Segundo a consultoria McKinsey, globalmente o setor é responsável por entre 4% e 7% de todas as emissões de gases de efeito estufa (GEE), o que reforça sua importância nas estratégias de descarbonização. Embora as emissões globais de dióxido de carbono permaneçam elevadas — com aumento de 1,1% em 2025, principalmente devido ao uso de combustíveis fósseis — a mineração tem transformado esse cenário em uma oportunidade para acelerar a adoção de práticas e tecnologias de baixo carbono.

Nesse contexto, países como Austrália, Brasil, Canadá, Chile, México e Peru estabeleceram compromissos nacionais, como reduzir suas emissões de GEE em 35% a 45% até 2030, impulsionando transformações em todos os setores produtivos, incluindo a mineração.

Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a divulgação de informações de sustentabilidade aumentou significativamente nos últimos anos. Como resultado, a maioria das empresas já reporta informações relacionadas à sustentabilidade em resposta à maior demanda dos investidores por transparência sobre riscos e oportunidades relacionados ao clima.

Essas divulgações têm papel cada vez mais importante na avaliação de riscos dos investidores institucionais, nas decisões de alocação de capital e na adoção de tecnologias de baixo carbono.

Ao mesmo tempo, governos de importantes jurisdições mineradoras — incluindo Austrália, Brasil, Canadá, Chile, México e Peru — estão fortalecendo marcos regulatórios e compromissos climáticos nacionais, incentivando as empresas a melhorar seus relatórios, estabelecer metas ambiciosas de redução de emissões e alinhar suas operações aos objetivos climáticos internacionais.

Para empresas de mineração, relatórios robustos de sustentabilidade tornaram-se fundamentais para garantir financiamento e manter a confiança de stakeholders. Integrar estruturas de reporte desde as fases iniciais do desenvolvimento do projeto posiciona as empresas para adotar tecnologias de baixo carbono, melhorar a eficiência operacional e acompanhar de forma transparente o progresso das metas de redução de CO₂.