A Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem Mina Córrego do Feijão (Avabrum) participa da Exposibram 2025 com o objetivo de alertar sobre os cuidados com as barragens e o crescimento descontrolado e perigoso das pilhas de rejeitos, que vêm substituindo as barragens como forma de depósito de resíduos após as tragédias de Mariana e Brumadinho. Além disso, a Bahia tem 79 barragens, sendo 07 em estado de emergência máxima e sete em nível médio de risco de acordo com a Agência Nacional de Mineração (ANM).
De acordo com informações da Associação dos Municípios Mineradores de Minas Gerais (Amig), há pilhas que equivalem a prédios de mais de 30 andares, um risco silencioso que potencializa a poluição ambiental e a disseminação de pó de minério nas comunidades vizinhas. O cenário é agravado pela falta de atualização do regulamento da Agência Nacional de Mineração (ANM) que trata dessas estruturas. A norma é de 2001, considerada ultrapassada e insuficiente diante das novas dinâmicas da mineração brasileira. Em Minas, um deslizamento em 2024 levou à desocupação de 162 imóveis, afetando 250 pessoas.
Na Exposibram, a Avabrum ocupa um estande próprio, que promete chamar atenção pela força visual e simbólica. O espaço trará imagens de impacto, presença de familiares das vítimas e uma narrativa que convida à reflexão. Brumadinho representa a maior tragédia no ambiente de trabalho no Brasil e o zelo pela segurança é luta permanente da Associação que tem uma campanha onde alerta que “amanhã pode ser tarde”, A ideia central é reforçar a importância da “não repetição das tragédias”, um dos princípios que orienta toda a atuação da Associação desde sua fundação, em 2019.
Responsabilização
Além da defesa pela responsabilização, a Avabrum também engrossa o coro em prol da mineração verdadeiramente responsável, com rigor na fiscalização, sobretudo na Bahia, estado que desponta como nova fronteira desse segmento e onde se concentram reservas de cobre, lítio, níquel, vanádio e terras raras, conforme divulgado pela própria organização da feira. “A expansão da mineração para o Nordeste precisa ser acompanhada de políticas de controle, transparência e participação social. Caso contrário, veremos novas tragédias acontecendo em diferentes territórios do país”, alerta a presidente da Avabrum, Nayara Porto.
“Não somos inimigos da expansão minerária. Somos a lembrança viva de que o desenvolvimento sem responsabilidade custa vidas, destrói rios, apaga comunidades inteiras e fere a dignidade humana”, pondera Nayara.
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