Operação autônoma, uso de IA e fibra ótica farão parte do futuro dos minerodutos

Por Conexão Mineral 15/09/2025 - 19:02 hs
Foto: Ausenco
Operação autônoma, uso de IA e fibra ótica farão parte do futuro dos minerodutos
O primeiro mineroduto da Samarco foi construído em 1975

A operação de minerodutos caminha para ser autônoma, com utilização de inteligência artificial para análise de riscos e fibra ótica para detecção de anomalias. Essas foram algumas das previsões do Workshop Slurry Pipeline: Início, Presente e Futuro, ocorrido na Rio Pipeline em 10/9. Dois profissionais da Ausenco, que são referência do mercado, participaram como palestrantes: Jay Chapman, especialista global em engenharia de pipelines (SME, sigla em inglês) e gerenciamento de projeto e José Carlos Mariano De Souza, especialista na operação e integridade de sistemas de minerodutos. Além deles, participou como palestrante o consultor Ron Derammelaere, ex-presidente da Pipeline Systems International (PSI), adquirida pela Ausenco em 2008.

Antes de falarem sobre o futuro das operações do modal logístico, os palestrantes contaram sobre suas trajetórias profissionais com o mineroduto e seus aprendizados. Jay Chapman integrou o time da primeira linha de mineroduto da Samarco, em 1975 – o primeiro construído no Brasil. No período, segundo Chapman, havia menos de 500 quilômetros de minerodutos no mundo. Formado em engenharia química, Jay esteve envolvido com todos os projetos de dutos de longa distância do Brasil, como o duto de fosfatos da Mosaic, o mineroduto da Anglo American, da Hydro, além de projetos como gasodutos em Portugal, na China e na Argentina.


Jay Chapman possui 50 anos de experiência profissional. Começou a trabalhar na empresa como parte do time PSI. “Fui a segunda pessoa da empresa”, recorda. Atualmente, Jay fornece orientação técnica e liderança de ideias para os membros do time global para dutos da Ausenco. É também responsável pela montagem do laboratório de polpas no Brasil. Mesmo com tanto tempo de estrada, Jay continua antenado com os desafios futuros dos dutos e mencionou no workshop sobre a IA: “O uso da Inteligência Artificial para o diagnóstico de riscos será uma realidade para muito em breve. Além disso, começaremos a usar a fibra ótica para identificar qualquer interação com os dutos, como mudança de temperatura, vibrações, escavações”, explica.

José Carlos Mariano


Se Jay Chapman integrou o time que projetou e implantou o mineroduto da Samarco, José Carlos Mariano atuou na sua operação, quando o modal de transporte já estava em atividade há cinco anos. “Fui para a entrevista de emprego para a vaga de engenheiro de manutenção de equipamentos móveis (da mina) na Samarco. Mas o gestor decidiu na hora que eu iria trabalhar no mineroduto. Eu não sabia do que se tratava e para que servia”, lembra. Mas ele se recorda, aliviado, que teve a ajuda preciosa dos documentos que a equipe de implantação deixou. “O projeto foi muito bem executado e os documentos relatavam todos os procedimentos de operação e manutenção, por exemplo, descritos em detalhes”, conta.

Mariano foi responsável pela operação do mineroduto da Samarco por 32 anos. E teve muitos aprendizados nesses anos de experiência, que utiliza hoje nos trabalhos da Ausenco. “A experiência me mostrou que é fundamental ter profissionais constantemente bem capacitados na operação, manutenção e na integridade dos dutos”, afirma. Em termos tecnológicos, ele aposta nos pigs inteligentes. “Essas ferramentas são bombeadas no duto e identificam desgaste, corrosão, trincas, num relatório que nos permite realizar um planejamento de manutenção de médio e longo prazo”, explica.

Com cerca de 40 anos de experiência, atualmente Mariano é engenheiro especialista na Ausenco e atua como consultor em operação, manutenção e integridade de minerodutos. Ele também desempenha papel fundamental em projetos de dutos e de infraestruturas correlatas.