Setor quer discutir como fazer a mineração crescer
Mineração é uma indústria focada no longo prazo e participantes do Simexmin discutem as possibilidades para a prospecção mineral
Para debater desafios e oportunidades da exploração mineral e mineração no país, especialistas, empresas, investidores e entidades públicas e privadas, estão reunidos no Parque Metalúrgico de Ouro Preto (MG), entre os dias 27 e 30 de novembro, na décima edição do Simpósio Brasileiro de Exploração Mineral (Simexmin-2022), promovido pela Agência para o Desenvolvimento e Inovação do Setor Mineral Brasileiro (Adimb).
Considerado um dos maiores fóruns de discussão sobre prospecção mineral e mineração da América Latina, o Simexmin conta com cerca de 1.200 participantes do Brasil, Estados Unidos, Canadá, Espanha, Chile, Portugal, Peru, Colômbia, Argentina, Reino Unido e França.
Na abertura do evento, o presidente do Conselho Superior da Adimb, Marcos André Gomes Veiga Gonçalves, destacou que encontro deste ano, vai debater temas importantes para o setor, como a pesquisa e produção dos minerais necessários para a transição energética, novos mecanismos de financiamento à pesquisa mineral, tecnologias, além de sustentabilidade, diversidade e inclusão na pesquisa mineral e mineração.
Marcos André citou que o simpósio vai muito além do aspecto técnico e do intercâmbio de experiências, pois ao longo dos anos o seu fio condutor tem sido o reencontro, a discussão aberta e franca. “Somos uma indústria tradicionalmente focada no longo prazo, nossos cronogramas e análises não se atém apenas aos próximos anos, restando aí um horizonte de tempo que perpassa o tempo da política”, disse.
O Presidente do Conselho Superior da Adimb disse ainda na abertura do Simpósio Brasileiro de Exploração Mineral, que a entidade está pronta para colaborar com o novo governo com ações de aperfeiçoamento da mineração e da pesquisa mineral no país para gerar desenvolvimento, emprego e diversificar o portfólio de projetos e a produção mineral.
O executivo disse ainda que a Adimb defende toda a qualquer política que leve o aperfeiçoamento da mineração e da pesquisa mineral no Brasil, que traga desenvolvimento e emprego, e sobretudo, que permita diversificar o portfólio de projetos e produção mineral, condizente com o tamanho, diversidade e riqueza do subsolo brasileiro.
“Buscamos colaborar com o governo atual e estamos prontos para colaborar com o novo governo que se inicia em janeiro de 2023, o qual desejamos êxito e nos colocamos à disposição para discutir mecanismos e instrumentos que promovam o crescimento da mineração brasileira'', ponderou.
Marcos André disse ainda que a base do avanço científico e tecnológico se dá por meio de discussões sadias e avaliação entre pares. “Simexmin busca isso. Queremos fomentar e fazer parte disso para as próximas décadas, e contamos com a confiança do setor nessa jornada”, finalizou.
Emmanuel Kamarianakis, embaixador do Canadá no Brasil disse que deseja aumentar ainda mais os investimentos e o comércio bilateral no setor de mineração entre os dois países. “É um setor muito importante para o Brasil e também para o Canadá e temos já um relacionamento forte e queremos reforçar mais essa relação.”
O embaixador destacou que diversas empresas canadenses já estão trabalhando e fazendo negócios no Brasil. E empresas brasileiras também estão fazendo investimentos no Canadá. “São dois mercados muito sofisticados e queremos crescer mais este contato'', afirmou. Emmanuel citou ainda que 70% da produção de ouro do Brasil é feita por empresas canadenses que operam no país.
A abertura do evento contou com a participação professor Roberto Xavier, presidente da comissão organizadora do Simexmin e diretor executivo da ADIMB; Lilia Mascarenhas Sant´Agostino, secretária de geologia, mineração e transformação mineral do Ministério de Minas e Energia; Guilherme Santana Lopes, diretor da Agência Nacional de Mineração, Gilmar Rizzotto, do Serviço Geológico do Brasil; Júlio Nery, diretor de Sustentabilidade do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM); Sandro Mabel, presidente da Federação das Indústrias de Goiás; Edson Ribeiro, Crisco; Francisco Inácio, presidente da Society of Economic Geologists e Eleonardo Lucas, pró-reitor da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP).
Novo ciclo
Presidente da ABPM, Luis Mauricio Ferraiuoli Azevedo, disse na abertura da décima edição do Simpósio Brasileiro de Exploração Mineral que o país precisa aproveitar o novo ciclo da mineração mundial e que deseja apoio do governo para discutir com o legislativo o Código de Mineração e CFEM.
O presidente da ABPM afirmou ainda que o desejo do setor é “discutir como fazer a mineração crescer.” Azevedo sinalizou o que o setor espera do próximo governo. “Durante quatro anos, não temos dúvidas, fomos muito ajudados, mas muita coisa ficou por fazer. E eu desejo que o novo executivo que chega até nós no próximo governo não nos deixe novamente para discutir com o legislativo sozinhos, o Código de Mineração e CFEM. Isso tira a energia do setor e afasta principalmente o investimento do Brasil,” afirmou.
Segundo Azevedo, foram vários ciclos perdidos. “Agora estamos no ciclo dos EV Minerals. Isso significa que são investimentos que poderiam estar aqui. O Brasil poderia estar copiando a SIGMA que vale hoje quase 4 bilhões e ela em 2018 tinha acabado de fazer o seu IPO,” disse.
O executivo disse ainda que o setor gostaria de discutir com o novo diretor geral e diretoria colegiada da ANM, mais do que uma gestão participativa, mas como fazer a mineração crescer.
“A mineração está preparada para este novo momento. Nosso setor talvez seja o setor que mais produziu e que menos se contaminou na pandemia da Covid. Então acho que o setor mineral está no momento virtuoso em preços de commodities, mas muito deprimido em investimento”.























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