Setor quer discutir como fazer a mineração crescer

Mineração é uma indústria focada no longo prazo e participantes do Simexmin discutem as possibilidades para a prospecção mineral

Por Conexão Mineral 28/11/2022 - 22:11 hs
Foto: Adimb
Setor quer discutir como fazer a mineração crescer
Décima edição do Simexmin é uma promoção da Adimb

Para debater desafios e oportunidades da exploração mineral e mineração no país, especialistas, empresas, investidores e entidades públicas e privadas, estão reunidos no Parque Metalúrgico de Ouro Preto (MG), entre os dias 27 e 30 de novembro, na décima edição do Simpósio Brasileiro de Exploração Mineral (Simexmin-2022), promovido pela Agência para o Desenvolvimento e Inovação do Setor Mineral Brasileiro (Adimb).

Considerado um dos maiores fóruns de discussão sobre prospecção mineral e mineração da América Latina, o Simexmin conta com cerca de 1.200 participantes do Brasil, Estados Unidos, Canadá, Espanha, Chile, Portugal, Peru, Colômbia, Argentina, Reino Unido e França.

Na abertura do evento, o presidente do Conselho Superior da Adimb, Marcos André Gomes Veiga Gonçalves, destacou que encontro deste ano, vai debater temas importantes para o setor, como a pesquisa e produção dos minerais necessários para a transição energética, novos mecanismos de financiamento à pesquisa mineral, tecnologias, além de sustentabilidade, diversidade e inclusão na pesquisa mineral e mineração.

Marcos André citou que o simpósio vai muito além do aspecto técnico e do intercâmbio de experiências, pois ao longo dos anos o seu fio condutor tem sido o reencontro, a discussão aberta e franca. “Somos uma indústria tradicionalmente focada no longo prazo, nossos cronogramas e análises não se atém apenas aos próximos anos, restando aí um horizonte de tempo que perpassa o tempo da política”, disse. 

O Presidente do Conselho Superior da Adimb disse ainda na abertura do Simpósio Brasileiro de Exploração Mineral, que a entidade está pronta para colaborar com o novo governo com ações de aperfeiçoamento da mineração e da pesquisa mineral no país para gerar desenvolvimento, emprego e diversificar o portfólio de projetos e a produção mineral. 

O executivo disse ainda que a Adimb defende toda a qualquer política que leve o aperfeiçoamento da mineração e da pesquisa mineral no Brasil, que traga desenvolvimento e emprego, e sobretudo, que permita diversificar o portfólio de projetos e produção mineral, condizente com o tamanho, diversidade e riqueza do subsolo brasileiro.  

“Buscamos colaborar com o governo atual e estamos prontos para colaborar com o novo governo que se inicia em janeiro de 2023, o qual desejamos êxito e nos colocamos à disposição para discutir mecanismos e instrumentos que promovam o crescimento da mineração brasileira'', ponderou. 

Marcos André disse ainda que a base do avanço científico e tecnológico se dá por meio de discussões sadias e avaliação entre pares. “Simexmin busca isso. Queremos fomentar e fazer parte disso para as próximas décadas, e contamos com a confiança do setor nessa jornada”, finalizou. 

Emmanuel Kamarianakis, embaixador do Canadá no Brasil disse que deseja aumentar ainda mais os investimentos e o comércio bilateral no setor de mineração entre os dois países. “É um setor muito importante para o Brasil e também para o Canadá e temos já um relacionamento forte e queremos reforçar mais essa relação.”

O embaixador destacou que diversas empresas canadenses já estão trabalhando e fazendo negócios no Brasil. E empresas brasileiras também estão fazendo investimentos no Canadá. “São dois mercados muito sofisticados e queremos crescer mais este contato'', afirmou.  Emmanuel citou ainda que 70% da produção de ouro do Brasil é feita por empresas canadenses que operam no país.

A abertura do evento contou com a participação professor Roberto Xavier, presidente da comissão organizadora do Simexmin e diretor executivo da ADIMB; Lilia Mascarenhas Sant´Agostino, secretária de geologia, mineração e transformação mineral do Ministério de Minas e Energia; Guilherme Santana Lopes, diretor da Agência Nacional de Mineração, Gilmar Rizzotto, do Serviço Geológico do Brasil; Júlio  Nery, diretor  de Sustentabilidade  do Instituto  Brasileiro  de Mineração (IBRAM);  Sandro  Mabel, presidente da  Federação das Indústrias  de Goiás;  Edson  Ribeiro, Crisco;  Francisco  Inácio, presidente da Society of  Economic Geologists e Eleonardo Lucas, pró-reitor da Universidade Federal de  Ouro Preto (UFOP). 

Novo ciclo

Presidente da ABPM, Luis Mauricio Ferraiuoli Azevedo, disse na abertura da décima edição do Simpósio Brasileiro de Exploração Mineral que o país precisa aproveitar o novo ciclo da mineração mundial e que deseja apoio do governo para discutir com o legislativo o Código de Mineração e CFEM.  

O presidente da ABPM afirmou ainda que o desejo do setor é “discutir como fazer a mineração crescer.” Azevedo sinalizou o que o setor espera do próximo governo. “Durante quatro anos, não temos dúvidas, fomos muito ajudados, mas muita coisa ficou por fazer. E eu desejo que o novo executivo que chega até nós no próximo governo não nos deixe novamente para discutir com o legislativo sozinhos, o Código de Mineração e CFEM. Isso tira a energia do setor e afasta principalmente o investimento do Brasil,” afirmou.

Segundo Azevedo, foram vários ciclos perdidos. “Agora estamos no ciclo dos EV Minerals. Isso significa que são investimentos que poderiam estar aqui. O Brasil poderia estar copiando a SIGMA que vale hoje quase 4 bilhões e ela em 2018 tinha acabado de fazer o seu IPO,” disse. 

O executivo disse ainda que o setor gostaria de discutir com o novo diretor geral e diretoria colegiada da ANM, mais do que uma gestão participativa, mas como fazer a mineração crescer. 

“A mineração está preparada para este novo momento. Nosso setor talvez seja o setor que mais produziu e que menos se contaminou na pandemia da Covid. Então acho que o setor mineral está no momento virtuoso em preços de commodities, mas muito deprimido em investimento”.