Mesmos desafios, novas frentes

Roundtable com o novo CFO da Vale, Gustavo Pimenta, e com o time de Relações com Investidores da companhia, onde eles detalharam as estratégias da empresa

Por Conexão Mineral 02/02/2022 - 19:53 hs
Foto: Banco Inter
Mesmos desafios, novas frentes
Dados publicados em Equity Research, do Banco Inter, em 02 de fevereiro de 2022

Por Gabriela Cortez Joubert *

Tivemos a oportunidade de participar de um roundtable com o novo CFO da Vale, Sr. Gustavo Pimenta, reunião que contou com a presença do time de RI da companhia, além de outros analistas sell side.

A seguir, trazemos os destaques da conversa.

Value over Volume, mas com opcionalidade

A estratégia da companhia de favorecer valor sobre volume deve continuar para este ano. Contudo, a Vale reforçou que quer manter a opcionalidade de poder ampliar sua produção no caso de maior apetite do mercado, desde que não afete tão negativamente os preços. Portanto, a meta de elevar a capacidade de produção para 400 mt nos próximos anos, volume discutido e almejado antes da pandemia, traz para a companhia a flexibilidade necessária para atuar em um mercado possivelmente mais bullish.

Otimismo frente aos desafios do setor

A companhia se mostrou bastante otimista quanto aos desafios do setor, especialmente em um ano no qual se espera desaceleração no crescimento das economias globais. Os dados de produção de aço bruto na China em dezembro, na casa de 90Mt, renovaram as expectativas de uma produção siderúrgica anual total de 1 bilhão de tonelada, o que manteria o preço do minério de ferro em níveis como os observados no início deste ano. Além disso, a Vale segue apostando no movimento de flight to quality que ganhou força pré-pandemia e que, agora, deve voltar. As restrições de oferta, juntamente com o processo de depletion nas minas das principais mineradoras concorrentes – que vem dificultando a manutenção dos níveis de qualidade – devem seguir beneficiando a companhia e os prêmios pagos aos seus produtos.

Metais Básicos: desafios seguem, mas futuro é promissor

A companhia deve manter seu plano de otimizar a operação de Metais Básicos, melhorando a eficiência, a fim de elevar o retorno aos acionistas e demais stakeholders. Os investimentos, a recente reestruturação do management e otimização da estrutura são todos parte do processo para destravar valor do ativo que pode culminar no spinoff da operação. Os prospectos com relação ao avanço dos carros elétricos, em especial nos Estados Unidos, grande mercado consumidor, seguem positivos e a proximidade da operação Canadá coloca a companhia em posição estratégica para atender essa demanda que está por vir.

Novos negócios via novas parcerias

Um dos pontos ressaltados ao longo do encontro foi a aspiração da Vale em fechar parcerias para novos negócios, novas frentes, reduzindo o custo de capital empregado, alavancando e otimizando estrutura. Apesar do histórico de problemas com parcerias anteriores não terem apresentado o sucesso esperado, a companhia ressalta que este é um caminho normal e natural no mundo dos negócios. O foco será em investimentos que façam sentido dentro do core da empresa e que ajudem a alavancar as operações e otimizar o retorno aos acionistas.

Indicadores Financeiros e disciplina de capital

A companhia deve seguir com sua meta de redução de US$ 1 bi em despesas. Além disso, a redução da dívida bruta segue no pipeline, porém agora a companhia trabalha com meta de 1x DL/EBITDA, o que levaria a uma dívida bruta de US$ 18 – US$ 20 bi e não mais os US$ 15 bi definidos anteriormente. Ainda, o Sr. Gustavo ressaltou a preocupação em elevar o ROIC da companhia, melhorar o retorno por cada dólar investido.

Opinião do analista

Gostamos da tese de investimentos da companhia, em especial no que tange a estratégia de valor sobre volume e na postura mais comedida quanto à expansão da capacidade produtiva, o que de fato, daria opcionalidade e flexibilidade à empresa em um eventual mercado mais demandante. Contudo, estamos menos otimistas que a empresa quanto aos drivers que podem manter os preços do minério de ferro nos patamares atuais. A demanda na China deve arrefecer ao longo de 2022, seguindo a desaceleração esperada para o PIB no país. Ainda, janeiro teve o impacto de menor produção pelo efeito de chuvas, o que ajudou a elevar os preços no período. No que diz respeito ao movimento de flight to quality, esse sim consideramos um ponto favorável para a Vale que é de fato, uma companhia premium, com um portfólio diferenciado, podendo se beneficiar dos maiores prêmios pagos no mercado, além de ganho de market share. Quanto à operação de Metais Básicos, acreditamos que muito do futuro da mineração da Vale passará por este segmento, tendo em vista os drivers de crescimento da demanda de metais como níquel e cobre em razão da ascensão dos veículos elétricos e outros produtos.

(*) Gabriela Cortez Joubert, CNPI - Inter Research