Cortes de produção na China ressaltam incertezas para o longo prazo
Por Gabriela Cortez Joubert*
Outubro trouxe os resultados da temporada de balanços do 3T21, os quais vieram afetados negativamente por preços de minério de ferro mais baixos quando comparados ao 2T21, conforme esperado, mas com volumes também em queda, colocando em dúvida o ritmo da demanda chinesa pela commodity. Após junho, o governo chinês retomou seu plano de corte de capacidades siderúrgicas no país, iniciado há alguns anos e suspenso desde o início de 2021, em movimento para reduzir a emissão de gases de efeito estufa. Com isso, a produção siderúrgica chinesa caiu dos 93 mt por mês observados no 1S21, para 73,7 Mt reportado em setembro. Além disso, destacamos a elevação das incertezas quanto ao ritmo de crescimento econômico mundial, em meio a um cenário de grandes pressões inflacionárias e prováveis medidas contracionistas por parte dos bancos centrais a partir de agora, o que poderia limitar a expectativa de avanço na demanda por produtos siderúrgicos e commodities metálicas.
O minério de ferro 62% (MF62) ficou em média de US$ 113/t em outubro, 4,6% menor que a média de setembro, e ficando abaixo de US$ 100/t já na primeira semana de novembro. Já os produtos de qualidade mais elevada, como o MF65, também sofreram quedas, mas em ritmo menor, o que contribuiu para que os prêmios de qualidade entre o MF65 e MF62 ficassem em torno de US$ 23/t, no mês. Com relação aos estoques nos portos chineses, vimos um avanço de 11% m/m, ficando em 132,2 Mt, o que pode indicar uma desaceleração no consumo local.
Como falado, a produção siderúrgica chinesa totalizou 73,7 Mt em setembro (último dado disponibilizado pela WSA), queda de 11% ante agosto e contração de 20% ante o mesmo período do ano passado. A indústria automotiva no país teve nova queda na produção, de 18% ante o mesmo período do ano passado. O consumo aparente de aço no país ficou estável m/m, em 70 mt, mas recuou 22% a/a. O PMI Manufatura teve mais um mês de queda, fechando em 49,2 pts em outubro, em meio a novos casos de calotes por parte de construtoras no país. Contudo, o Caixin subiu para 50,6 pts, levemente acima da linha d’água que indica expansão. O frete marítimo teve forte alívio no mês e fechou em US$ 28/t, queda de 27% ante setembro, mas ainda acima da média de US$ 17,4/t nos últimos três anos. Os preços do aço tiveram correção no mês, reflexo da queda nos preços das commodities, com exceção da sucata e do vergalhão na Turquia, que avançaram 4,9% e 11%, respectivamente.
Apesar da alta de 9,5% no acumulado do ano, o segmento de veículos segue impactado pela crise internacional de semicondutores e dados da Fenabrave mostraram que foram emplacados 162.349 veículos no país, queda de 24,5% a/a, apesar da alta de 4,7% ante o mês anterior. Na comparação anual, houve contração em todas as linhas, com exceção das vendas de caminhões que avançaram 30% a/a. A desaceleração de produção e vendas até o fim do ano tende a aumentar, o que levou a Fenabrave a rever sua projeção de crescimento de licenciamentos para este ano para recuo de 1% ante 2020.
A produção nacional de aço bruto somou 3.051 kton em setembro (último dado disponível), de acordo com o IABR, em queda de 3,1% ante agosto e 18% acima do mesmo mês em 2020. No acumulado do ano, o avanço foi de 22%. A produção de aços planos e longos teve recuo de 6% e 10% m/m, respectivamente. O Consumo Aparente somou 2.204 kton, queda de 5,8% m/m, mas alta de 9,4% a/a, com saldo acumulado em 2021 de 20.908 kton, expansão de 39% ante 2020.
CSN Mineração 3T21: Resultado aquém da capacidade
Os resultados do 3T21 da CSN Mineração mostraram um desempenho aquém da capacidade da companhia, vindo fortemente abaixo do esperado, tanto na comparação anual quanto trimestral.
CSN 3T21: Mineração pesa, siderurgia ainda segura
O 3T21 trouxe desafios à CSN que viu seus resultados fortemente impactados pelo pior desempenho na Mineração, em razão do cenário internacional mais desafiador, mas parcialmente compensados por um EBITDA recorde na Siderurgia, ainda beneficiada por um cenário local mais propenso.
Gerdau 3T21: Muito acima das expectativas
Esperávamos resultados positivos da Gerdau para o 3T21, conforme relatório de prévias, mas a companhia conseguiu superar de longe nossas estimativas, com receitas 13% acima do esperado.
Usiminas 3T21: Siderurgia em bom patamar; resultado levemente abaixo
Os resultados do 3T21 da Usiminas trouxeram um desempenho levemente abaixo das nossas estimativas, com receitas totais fortemente impactadas pelo menor desempenho da mineração, mas compensadas parcialmente pela boa performance da Siderurgia, apesar dos desafios que começam a surgir em razão de custos e escassez de insumos global.
Vale 3T21: Os desafios pós trimestre recorde
O lado negativo de um trimestre extremamente forte e de recorde é a elevação de expectativa que se segue para os próximos períodos. Depois de trazer um EBITDA trimestral de US$ 11 bi no 2T21, frente a uma média de EBITDA anual dos últimos três anos de US$ 14,6 bi, a Vale se depara com o desafio de saciar o apetite dos investidores em um momento de cenário desfavorável com preços em queda e demanda futura de seu principal mercado consumidor, a China, ainda incerta.
O minério de ferro 62% (MF62) ficou em média de US$ 113/t em outubro, 4,9% abaixo da média de setembro. Apesar da queda, vemos desaceleração e preços levemente mais estáveis em novembro, em cerca de US$ 100/t.
As exportações brasileiras de minério de ferro em setembro tiveram queda de 3,1% ante agosto e -10% ante o mesmo mês de 2020.
Com a busca de produtos de maior qualidade, os prêmios entre os tipos de produtos voltaram a subir em outubro e o spread entre o MF62 e o MF65 ficou em torno de US$ 23/t no período.
A produção siderúrgica chinesa teve forte queda de 11% no mês de setembro (último dado divulgado), ficando em 73,7Mt. Na comparação anual, a queda foi de 20%.
Os estoques nos portos chineses tiveram alta de 11% ante setembro, fechando em 132,2 Mt.
O frete marítimo importante recuo no mês, cedendo 27% ante setembro, aos US$ 28/t, mas ainda assim acima da média de US$ 17,4/t nos últimos três anos.
Os preços do aço tiveram correção no mês, reflexo da queda nos preços das commodities, com exceção da sucata e do vergalhão na Turquia, que avançaram 4,9% e 11%, respectivamente.
(*) Gabriela Cortez Joubert, CNPI, Banco Inter.
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