O olhar da indústria brasileira do aço para 2021 é de otimismo

Por Conexão Mineral 16/12/2020 - 17:35 hs
Foto: Instituto Aço Brasil
O olhar da indústria brasileira do aço para 2021 é de otimismo
Marco Polo de Mello Lopes, presidente executivo do Instituto Aço Brasil

Por Marco Polo de Mello Lopes*

O ano de 2020 foi surpreendente para todos e, na indústria brasileira do aço, não foi diferente. Começamos 2020 com a expectativa de que esse seria, enfim, o ano da recuperação da atividade econômica no País. Mas ainda no 1º trimestre, a pandemia do COVID-19 parou o mundo. 

No Brasil, o necessário isolamento social, adotado no enfrentamento da pandemia, levou a uma grave crise de demanda que no seu momento mais agudo, em abril, fez com que o setor automotivo fechasse 65 plantas e 5.200 concessionárias e, o setor de máquinas e equipamentos, tivesse 47% de suas empresas também fechadas. 

Esses setores, juntamente com o da construção civil, que também sofreu os impactos da pandemia, são responsáveis por mais de 82% do consumo de aço no país. 

Em consequência, em abril, a indústria brasileira do aço operou com apenas 45% de sua capacidade instalada, sendo obrigada a ajustar sua oferta à demanda existente. 

Altos fornos, aciarias e outros equipamentos foram abafados e desligados. 

Logo que os sinais de recuperação da demanda de aço surgiram, fruto das medidas adotadas pelo governo, o setor religou seus equipamentos e reativou sua produção, para atender a volta dos pedidos dos clientes. 

Já a partir de junho, o setor passou a colocar no mercado interno mais do que colocou em janeiro e fevereiro, quando não havia qualquer reclamação com relação a abastecimento. 

Hoje, a utilização da capacidade instalada é de 68,9% e já ultrapassou a de janeiro deste ano, não havendo por parte das empresas associadas ao Instituto Aço Brasil problemas no abastecimento do mercado interno, prioridade absoluta do setor. 

Os problemas de abastecimento apontados na imprensa por alguns segmentos de consumo referem-se à reposição de estoques e estão localizados no segmento da distribuição do aço e não nas usinas produtoras associadas ao Aço Brasil. 

Em novembro de 2020 a produção brasileira de aço bruto foi de 3,0 milhões de toneladas, representando um aumento de 9% em relação ao mês de janeiro. 

As vendas internas atingiram 1,8 milhão de toneladas, crescendo 19% em relação às de janeiro desse ano. O consumo aparente de produtos siderúrgicos foi de 2,0 milhões de toneladas, 15% superior ao apurado no mês de janeiro. 

A vigorosa recuperação do mercado interno permitiu que as estimativas do Instituto para este ano sejam de relativa estabilidade em relação a 2019, com as vendas internas apresentando um crescimento de 0,5% e atingindo 18,9 milhões de toneladas; e o consumo aparente uma queda de apenas 1%, devendo atingir 20,8 milhões de toneladas. 

No tocante à produção, a indústria brasileira do aço deve decrescer 5,6%, atingindo 30,7 milhões de toneladas este ano. 

As importações devem cair 17,4% em relação a 2019, totalizando 2,1 Mt e as exportações devem decrescer 16,3%, atingindo 10,7 Mt. 

O olhar da indústria brasileira do aço para 2021 é de otimismo. 

O Indicador de Confiança da Indústria do Aço (ICIA) se mantém em patamares historicamente elevados, embora tenha havido redução de 4,1 pontos, para 78,9 pontos em dezembro - terceiro maior patamar da série histórica, iniciada em abril de 2019. 

A expectativa do setor é de que no próximo ano as vendas internas aumentem 5,3%, e o consumo aparente de produtos siderúrgicos 5,8%, em comparação com 2020. 

O cenário positivo baseia-se na expectativa de um maior consumo de aço na construção civil, nas obras de infraestrutura, e uma maior participação da indústria nacional no setor de óleo e gás e energia renovável. 

Sendo este o ultimo vídeo institucional de 2020, aproveito a oportunidade para, em nome de toda a equipe do Aço Brasil, desejar a todos um 2021 com saúde e prosperidade". 

(*) Marco Polo de Mello Lopes, presidente executivo do Instituto Aço Brasil 

Acesse o vídeo do presidente executivo do Aço Brasil e estatística mensal de novembro do setor: clique aqui