CBPM apresenta dados de Lapão, projeto de zinco e chumbo localizado na Bahia

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Por Conexão Mineral 21/05/2018 - 07:00 hs
Foto: CBPM
CBPM apresenta dados de Lapão, projeto de zinco e chumbo localizado na Bahia
Projeto Lapão, na Bahia

Por Mário Monteiro* 

Nestes 45 anos de existência, a CBPM acumulou enorme quantidade de dados geológicos e metalogenéticos sobre o estado da Bahia, sendo seu território totalmente coberto por levantamentos aerogeofísicos, (magnetometria e gamaespec-trometria).

LOCALIZAÇÃO

A área do projeto está localizada na porção noroeste do estado da Bahia, a cerca de 6 km a sul da cidade de Lapão. O acesso rodoviário a partir de Salvador é de quase 500 km ao longo de rodovias pavimentadas: BR-324 até a cidade de Feira de Santana e BR-116 até o entroncamento com a BA- 052. A partir daí até a cidade de Irecê, seguindo para cidade de Lapão através da BA-432, percorrendo mais 11 km. O acesso a área prospectada é feito por 6 km de estrada não pavimentada (Figura 1).

GEOLOGIA

Esta mineralização sulfetada de Zn-Pb está associada a uma Sequência Carbonática Neoproterozoica, na qual também associam-se mineralizações de fosfato relacionado a biohermas, compostas por estromatólitos  colunares.

Ao menos dois ciclos transgressivos e dois regressivos refletindo oscilações do nível do mar foram reconhecidos durante a evolução da sequência de carbonatos nas bacias sedimentares de Irecê e Salitre.

A partir deste conhecimento geológico e deposicional, a mineralização de fosfato foi relacionada a fáceis estromatolítica de crescimento vertical, enquanto que as mineralizações de Zn e de Pb estão associadas a interfaces entre calcários finos laminados e dolomitos (Figura 2).

EXPLORAÇÃO

Neste ambiente Neoproterozoico de sequências carbonaticas, a CBPM vem realizando um programa de exploração mineral que consiste de: (i) sensoriamento remoto; (ii) processamento de dados de aerogeofísica; (iii) modelamento de dados eletromagnéticos; (iv) geoquímica de superfície; (v) levantamento geológico regional.

O trabalho detalhado do alvo da Fazenda Itaberaba consistiu de: (i) mapeamento geológico e estrutural; (ii) geoquímica de superfície (rocha e solo); (iii) geofísica terrestre (polarização induzida); (iv) campanha pioneira de sondagem a diamante.

O levantamento detalhado de geoquímica de solo destacou a mineralização sulfetada, evidenciando controle tectônico regional, representada por dobramento tipo sinformal com planos axiais verticalizados e com eixos mergulhando para leste em provável zona de cisalhamento subverticalizado, que controla a mineralização (Figura 3).

O programa de sondagem neste alvo está em progresso, em acordo com uma grade planejada com seções espaçadas de 100 metros. Os primeiros cinco furos de sondagem realizados estão em conformidade com a estrutura sinformal, interpretada no mapa de anomalia geoquímica (Figura 3). Estes furos de sondagem, no flanco sul da estrutura sinformal, interceptaram 03 intervalos mineralizados, e dos quais com 19,7 m @ 12,7 % Zn + Pb, como visto no furo de sondagem  FD-PIAP-ITA-004 (Perfil da Seção 1 ).  

As amostras foram analisadas pelo laboratório SGS Geosol por ICP-MS, após preparação e digestão multiácida.

TIPO DE DEPÓSITO

A mineralização de sulfeto é primariamente relacionada a fáceis litológica anômala em metais-base, principalmente zinco e chumbo, os quais foram reconcentrados durante evento orogenético e tectônico compressivo. As características dessa mineralização indicam um depósito do tipo Mississippi Valley (MVT).

RECURSOS POTENCIAIS

Com os trabalhos de prospecção realizados, o levantamento geoquímico de solo residual delimitou expressiva anomalia para Zn-Pb e P (Figura 3), sendo a porção SE da anomalia investigada com perfuração de 04 locações, espaçadas de 100 m, interceptando intervalos sulfetados com mineralizações de Zn-Pb.

CONCLUSÕES

A mineralização de Zn e Pb no alvo da fazenda Itaberaba é hospedada em uma sequência de carbonato neoproterozoica. O minério é de origem stratabound, com reconcentração tectônica ocorrendo como sulfeto maciço, venulado e/ou disseminado, constituído por pirrotita, pirita, esfalerita, galena e calcopirita.

O depósito de Zn-Pb de Lapão justifica um programa de exploração com orçamento expressivo para os próximos anos, onde a maioria  dos recursos deve ser investida em sondagens visando o avanço do status desta mineralização para uma classificação de recursos condizentes com a National Instrument 43-101 e requerimentos JORC.

(*) Mário Monteiro é geólogo da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM)