Brado e Alcoa viabilizam operação logística que leva alumínio do MA para SP pela ferrovia

A operação entre o Maranhão e a região Sudeste amplia a eficiência logística para transporte de metais

Por Conexão Mineral 09/04/2026 - 20:46 hs
Foto: Brado Logística

A Brado Logística e a Alcoa estão implementando uma nova operação multimodal para o transporte de lingotes de alumínio da Alcoa produzidos na Alumar, consórcio gerenciado pela empresa no Maranhão, para clientes da Alcoa no estado de São Paulo. A operação integra os modais rodoviário e ferroviário, tendo a Ferrovia Norte-Sul como eixo principal, conectando Davinópolis (MA) a Sumaré (SP) ao longo de mais de 2.700 quilômetros, a mais longa operação ferroviária contínua dedicada ao abastecimento industrial regular no país.

Com esse projeto, a iniciativa amplia o uso do transporte ferroviário para cargas industriais de maior valor agregado e consolida um corredor multimodal com maior previsibilidade operacional, menor intensidade de carbono e ganhos de eficiência sistêmica. A iniciativa teve início ainda em julho de 2025, quando a nova rota multimodal foi inaugurada. Desde então, foram realizadas 13 viagens, que movimentaram 884 contêineres e 22,5 mil toneladas de produtos, consolidando parâmetros operacionais, modelagens e ganhos logísticos para a formalização do contrato agora anunciado.

“Operações como essa mostram como a multimodalidade é decisiva para destravar competitividade no Brasil. Ao unir ferrovia e rodovia de forma integrada, conseguimos oferecer uma logística mais eficiente, segura e sustentável, alinhada às demandas industriais e a necessidade de soluções com previsibilidade operacional e menor impacto ambiental possível”, destaca Luciano Johnsson, CEO da Brado.

Mais do que uma simples adição de modal, a operação comprova a viabilidade de estabelecer corredores ferroviários regulares para cadeias de suprimentos industriais complexas, tradicionalmente sensíveis a atrasos, questões de segurança, interrupções no fornecimento e volatilidade tarifária.

“O modelo logístico representa um avanço estrutural na forma como o alumínio é transportado por longas distâncias no Brasil. Isso contribui para um transporte de cargas com menores emissões, rigorosos padrões de segurança e maior eficiência ao longo de toda a cadeia de valor, ao mesmo tempo em que fortalece a resiliência e a competitividade de nossos negócios”, afirma Mateus Tiraboschi, vice-presidente global de Compras e Transporte da Alcoa.

Competitividade industrial e agenda logística

O desenho operacional integra a capacidade e a previsibilidade da ferrovia em longas distâncias com a flexibilidade do transporte rodoviário nos trechos iniciais e finais da operação. Os lingotes, com peso médio de 1,1 toneladas por unidade, exigem rigorosos padrões de embalagem, rastreabilidade e segurança, além de planejamento antecipado para a ocupação de contêineres e a gestão dos terminais.

O percurso logístico tem início em São Luís (MA), segue para Davinópolis (MA), percorre a Ferrovia Norte-Sul até Sumaré (SP) e, a partir daí, abastece clientes industriais em São Paulo e Minas Gerais. Esse modelo busca mitigar riscos operacionais, reduzir a volatilidade nos prazos de entrega e fortalecer a resiliência das cadeias produtivas, atributos cada vez mais determinantes nas decisões de investimento industrial.

Nesse modelo logístico, a dimensão ambiental é tratada como um fator estratégico. Além do ganho operacional, a parceria reforça o avanço de soluções sustentáveis no transporte de cargas no país. Apenas no segundo semestre de 2025, a adoção da ferrovia na rota da Alcoa reduziu mais de 5 mil toneladas de CO₂ quando comparada ao transporte rodoviário. A estimativa considera a massa transportada, a distância percorrida e o fator emissões por modal, refletindo um benefício ambiental relevante.