ABM Week: competitividade, IA, análise de dados e transição energética foram alguns temas abordados
A Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração (ABM) promoveu no início de setembro, em São Paulo, a 9ª edição da ABM Week. No primeiro dia, um tema central para o setor e que norteou diversas palestras: mesmo diante de pressões internacionais, como avanço de mercados concorrentes e novas taxas de exportação para os EUA, a indústria siderúrgica brasileira não descarta a sustentabilidade como motor para a competitividade.
Participaram do painel “ Competitividade da Indústria Siderúrgica Brasileira 2025/2050” como palestrantes: Juan Merlini, diretor de estratégia, marketing & new ventures da Vale; Titus Schaar, presidente da Ternium Brasil; e Thiago Campos; head of green steel da SMS group. A moderação do painel ficou a cargo de Kleber Beraldo de Andrade, diretor de operações da ArcelorMittal Pecém.
Juan Merlini, da Vale, destacou no início da sua fala uma expectativa consensual entre as empresas: o destino de crescimento do setor. De acordo com Merlini, a evolução prevista é estimulada pela urbanização, intensidade do uso de metais e crescimento populacional. Acompanhando essa progressão, estão temas como a transição energética e o reuso de materiais, segundo Merlini. Para alcançar esses resultados em plenitude até 2050, o executivo destaca a necessidade de eficiência operacional, uso de novas tecnologias e o estímulo à adoção do hidrogênio verde como fonte de combustível e energia nos processos de produção.
Titus Schaar, da Ternium, é otimista ao sugerir o Brasil como país líder na transição energética para a indústria siderúrgica e de mineração no mundo. As fontes de abastecimento abundantes no país e as reservas vegetais colocam o país em cenário único em termos de competitividade verde em escala global.
Com iniciativas em plantas industriais de siderurgia no Brasil e no mundo voltadas à sustentabilidade, Thiago Campos da SMS group, destacou experiências capitaneadas pela empresa na Suécia, Alemanha, Luxemburgo e outras regiões globais, como modelos capazes de criarem redução na emissão de C02 em até 95%. Para tanto, destaca a necessidade de modelos inovadores no processo industrial, que se utilizem tanto de tecnologias como de novos combustíveis, como biomassa e gás natural. O reuso de sucata também se mostra uma iniciativa importante para a cadeia sustentável.
Ocupando a posição de 9º produtor global de aço bruto, o Brasil progride na área de sustentabilidade, mesmo diante de desafios já conhecidos pelo setor e também de outros mais recentes, como o crescimento da importação brasileira de aço chinês, que já avança em 30% do uso do metal no país, estimulada pela superprodução chinesa, bem como a alta das taxas americanas de importação, principal mercado global importador de aço. Outro dificultador é a falta de demandas de empresas fabricantes de produtos manufaturados, assim como do consumidor final, pela exigência de metais 100% limpos. “Empresas e consumidores também precisam se interessar por produtos completamente descarbonizados”, considera Thiago Campos, da SMS group.
Uso de IA e digitalização na cadeia, otimização e redução nos processos, assim como eficiência energética são aliados das indústrias na busca por redução de carbono e sustentabilidade. Como destacado pelos participantes do painel, é possível fazer aço de maneira competitiva e sustentável no Brasil. Para tanto, parcerias estratégicas, a mudança em leis e estímulo governamental, bem como análise de situações regionais quanto às exigências por sustentabilidade são apoios necessários para que o Brasil se torne líder global em descarbonização da indústria e produção mineral verde.
Digitalização, IA e análise de dados
O segundo dia da ABM Week 2025 contou com a Plenária Mineração e Metalurgia – Transformação digital como estratégia para inovação, sustentabilidade e competitividade, realizada no Auditorium Ternium Usiminas. O encontro reuniu executivos internacionais e brasileiros para debater tendências tecnológicas e os cenários futuros que desafiam a mineração e a siderurgia diante de uma corrida por eficiência, redução de custos e ganhos ambientais.
A sessão foi moderada por Wilson Alexandre Messias Rodrigues, Gerente Geral de Performance Industrial na Gerdau, que destacou a urgência da digitalização. Segundo ele, a transformação digital já está alterando profundamente a lógica de operação do setor. “A tecnologia está direcionando a um ambiente ainda mais competitivo, tanto do ponto de vista construtivo quanto ambiental. Isso exige maior eficiência do aço e das cadeias produtivas, apesar dos custos elevados para integrar novas soluções digitais”, ressaltou.
Abrindo as apresentações, Enrico Plazzogna, Vice-Presidente da Danieli Automation, chamou atenção para o potencial da automação industrial. “A transformação digital pode ser algo incrível para enfrentar as dificuldades do setor. Temos na Europa os mesmos problemas que existem aqui e em todo o mundo”, afirmou. O executivo enfatizou que, além de aumentar a automação de fábricas e usinas, será preciso investir em robótica, sistemas de comando e softwares de suporte à operação. “Assim como nossos carros hoje dependem de softwares, a siderurgia também já depende. A digitalização é o caminho para reduzir custos operacionais e otimizar as plantas industriais”, disse.
Na sequência, Kurt Herzog, Head Global de Indústria 4.0 da Primetals, reforçou a centralidade da análise de dados para o futuro da indústria. “Muitos dizem que os dados são o novo petróleo. Eu diria que eles só têm valor se forem transformados em ação. Dados e informações sem aplicação são inúteis”, destacou. O especialista defendeu que a coleta e o tratamento inteligente das informações, obtidas diretamente das máquinas e processos, são fundamentais para elevar a eficiência operacional e reduzir riscos. “A tecnologia ajuda a eliminar o fator humano em situações de risco e a lidar com a imprevisibilidade. Mas é importante lembrar: a inteligência humana nunca será substituída”, completou.
Encerrando a rodada, Thiago Maia, Vice-Presidente de Solutions X da SMS group, apontou o papel crescente da inteligência artificial nos próximos anos. Segundo ele, novos modelos de IA, inclusive generativa, já começam a moldar a realidade das operações. “Grande parte do trabalho operacional está sendo substituído pela tecnologia da informação. A inteligência artificial está transformando tarefas, otimizando processos e mudando a forma como o mundo do aço e dos metais opera”, explicou.
O debate mostrou que a transformação digital é mais do que uma tendência: é uma estratégia de sobrevivência e crescimento para o setor minero-metalúrgico. Entre os principais pontos levantados estiveram: a necessidade de ampliar a automação, utilizar dados como insumo estratégico, integrar novas soluções de IA e reduzir a dependência de processos manuais em prol da eficiência e da sustentabilidade.
Com diferentes visões e experiências, os participantes convergiram na ideia de que a digitalização já não é opcional, mas essencial para que a indústria acompanhe as mudanças globais e garanta competitividade em um cenário cada vez mais exigente e desafiador.
Newsletter
Cadastre seu email e receba nossos informativos e promoções de nossos parceiros.
-
Votorantim Cimentos avança em seu programa de investimentos de R$ 5 bilhões entre 2024 e...
-
BNDES aprova R$ 715,9 milhões para modernizar a produção de alumínio da CBA
-
St George adquire área para a planta de processamento de nióbio e terras raras do Projet...
-
Vale Base Metals anuncia consórcio e investimento de até US$ 200 milhões na mina de Tho...























Conexão Mineral - Notícia mais lida na Conexão Mineral em Janeiro de 2026
Women in Mining Brasil - Elas movimentam a mineração