CNH em Veículos Automáticos: Novas Regras Devem Ser Aprovadas em 2026

Por Conexão Mineral 01/08/2025 - 18:14 hs
Foto: CSN Mineração
CNH em Veículos Automáticos: Novas Regras Devem Ser Aprovadas em 2026
O Capex da CSN Mineração no 2T25 foi de R$ 500 milhões

Para milhões de brasileiros, o processo de tirar a CNH é sinônimo de uma palavra de quatro letras: embreagem. O medo de deixar o carro "morrer" na saída, a perna tremendo no controle de rampa e a dificuldade em coordenar os três pedais são, há décadas, os maiores vilões da aprovação no exame prático do Detran.

Essa dificuldade gera um paradoxo gigantesco. O candidato sofre, reprova (e paga) várias vezes para dominar uma tecnologia que, para muitos, já está obsoleta. O mercado mudou, os carros mudaram, mas a lei parou no tempo. Até agora.

Uma mudança legislativa crucial, que deve ser totalmente implementada até 2026, promete acabar com esse sofrimento e modernizar o processo. A proposta é simples e revolucionária: permitir que o candidato escolha se formar e ser testado em um veículo de transmissão automática.

O Descompasso: Aprendendo no Manual, Vivendo no Automático

O mercado de veículos no Brasil passou por uma transformação silenciosa, mas definitiva. Atualmente, mais da metade dos carros novos vendidos no país já são automáticos. Essa tecnologia deixou de ser um artigo de luxo e se tornou um padrão de conforto e eficiência, especialmente nos centros urbanos.

A legislação, no entanto, não acompanhou essa evolução. O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e as resoluções do CONTRAN (Conselho Nacional de Trânsito) ainda exigem que a formação para a Categoria B seja feita, por padrão, em um veículo com câmbio manual. O resultado é um sistema que reprova candidatos por não dominarem uma habilidade que eles, muito provavelmente, nunca mais usarão na vida.

Isso cria uma barreira artificial, inflando os custos (com reprovações e aulas extras) e a ansiedade de quem só quer o direito de dirigir o carro automático que tem na garagem. A mudança prevista para 2026 vem para corrigir exatamente essa distorção.

A Proposta da CNH Automática: O Foco na Competência Real

O que está em jogo não é o fim das autoescolas ou a eliminação de etapas, mas a criação de uma escolha inteligente para o candidato. A proposta que avança no Congresso e nos órgãos de trânsito prevê a criação de uma habilitação com restrição específica para veículos automáticos.

O funcionamento é simples: no momento da matrícula no Centro de Formação de Condutores (CFC), o candidato poderá optar pela "Formação em Veículo Automático". Caso faça essa escolha, todo o seu processo de aprendizagem e avaliação será adaptado.

Como Fica o Processo de Formação?

O aluno ainda precisará cumprir o curso teórico de 45 horas/aula, com toda a base de legislação, direção defensiva e primeiros socorros. A mudança ocorre na etapa prática. As 20 horas/aula obrigatórias de direção serão realizadas em um carro automático da autoescola.

Isso muda tudo. Sem a barreira da troca de marchas e do controle da embreagem, o instrutor e o aluno podem focar 100% do tempo no que realmente importa: segurança e percepção de trânsito. As aulas passam a ser sobre controle de velocidade, uso de retrovisores, noção espacial, respeito à sinalização e reação a imprevistos.

A formação deixa de ser um "treino para domar o carro" e passa a ser um "treino para interagir com o trânsito".

A Prova Prática Sem Pânico

O exame prático do Detran, o temido "dia D", também será feito no veículo automático. A famosa baliza e o percurso serão avaliados, mas o principal fator de reprovação — deixar o carro morrer ou "cantar pneu" — é eliminado da equação.

Isso não significa que a prova fica "fácil". Significa que ela fica justa. O examinador poderá avaliar o candidato por suas habilidades reais de motorista (uso de seta, respeito à faixa de pedestre, controle em curvas), e não por sua perícia em um mecanismo mecânico que está caindo em desuso. A expectativa é de uma redução drástica no índice de reprovação imediata.

Os Benefícios: Mais Rápido, Mais Barato e Mais Inclusivo

A implementação dessa regra trará uma cascata de benefícios para os novos condutores. O primeiro e mais óbvio é a redução do estresse e da ansiedade. O medo do exame, que causa o "branco" e o tremor nas pernas, será drasticamente diminuído.

O segundo benefício é a economia financeira. O maior custo da CNH hoje não está na matrícula, mas nas reprovações. Cada reprovação exige o pagamento de uma nova taxa de exame e, muitas vezes, a compra de um novo pacote de aulas práticas. Ao facilitar a aprovação de primeira, a CNH automática se torna, na prática, muito mais barata.

Por fim, o processo se torna mais rápido e inclusivo. A curva de aprendizado em um carro automático é exponencialmente menor. Além disso, pessoas com pequenas limitações físicas (como dores no joelho ou tornozelo) ou com transtornos de ansiedade (amaxofobia) terão um caminho viável para conquistar sua independência.

"Tirei a CNH Automática. E se um Dia Eu Precisar Dirigir um Manual?"

Essa é a dúvida mais comum, e a solução proposta é simples e lógica. O motorista que optar pela formação automática terá uma restrição na sua CNH (similar à restrição "A" para quem precisa de óculos). Ele só estará autorizado a dirigir veículos de transmissão automática.

Caso, no futuro, ele decida que quer ou precisa dirigir carros manuais, ele não precisará refazer todo o processo. Ele precisará apenas fazer um "upgrade" da sua habilitação. Isso exigirá o cumprimento de uma pequena carga horária complementar de aulas práticas (ex: 5 ou 10 horas) em um carro manual, focada apenas na troca de marchas, e a realização de um novo exame prático no Detran.

É um caminho justo, que não penaliza quem fez a escolha pelo automático, mas garante que a pessoa só dirija um manual após comprovar aptidão para isso.

A Mudança na Lei e o Risco dos Velhos Golpes

Toda mudança de regra gera um período de confusão, e é nesse momento que os criminosos se aproveitam. A notícia de uma CNH "mais fácil" pode ser distorcida por golpistas, que tentarão vender a ideia de que o sistema ficou "frouxo" e que agora é possível obter a CNH sem qualquer esforço.

É preciso deixar claro: a CNH automática ainda é uma CNH legal, que exige matrícula em CFC, aulas teóricas e aprovação em exames. O que muda é a ferramenta, não a obrigatoriedade do processo. A tentação de buscar atalhos ilegais permanece sendo um risco gigantesco.

Essa mentalidade de "jeitinho" é perigosa. Muitos ainda acreditam que podem burlar o sistema para qualquer categoria. A busca por comprar carteira de motorista de moto, por exemplo, é tão criminosa e arriscada quanto a de carro, levando à prisão em flagrante por uso de documento falso.

A Nova Lei Combate a Ilegalidade

Paradoxalmente, a nova regra da CNH automática é um duro golpe contra o mercado de fraudes. Um dos principais motivos que leva uma pessoa a procurar por cnh onde comprar é o desespero. É o candidato que já reprovou 3, 4, 5 vezes no exame manual, gastou o que não tinha e se sente humilhado pelo sistema.

O golpista se aproveita dessa vítima, oferecendo uma "solução" que na verdade é um crime. Ao oferecer um caminho legal, acessível e lógico (a prova no automático), a nova lei dá uma alternativa segura para essa pessoa. Ela não precisa mais recorrer ao crime, pois a aprovação se torna uma realidade tangível dentro da lei.

O Futuro é Automático e Focado na Segurança

A implementação da CNH para automáticos em 2026 é um sinal de modernização. É o reconhecimento de que a lei precisa se adaptar à tecnologia e à realidade das ruas. Em muitos países, essa separação já existe há anos e funciona perfeitamente.

A habilidade de trocar marchas está se tornando tão obsoleta quanto a de dar partida com uma manivela. O foco da formação de condutores no século XXI deve ser a segurança, a direção defensiva e a capacidade de interagir com um trânsito cada vez mais complexo. Ao remover a barreira mecânica da embreagem, o Brasil finalmente começa a treinar motoristas para o que realmente importa.