Usiminas investe em processos de mentoring e coaching para mulheres e acelera carreira de liderança
Priscilla Chernicharo, especialista de Recursos Humanos e responsável pelo Programa Diversidade e Inclusão da Usiminas, nos conta sobre os avanços obtidos na empresa
A Usiminas é líder no mercado brasileiro de aços planos e um dos maiores complexos siderúrgicos da América Latina. A companhia conta com unidades industriais e logísticas localizadas em seis estados do país e está presente em toda a cadeia siderúrgica – da extração do minério, passando pela produção de aço até sua transformação em produtos e bens de capital customizados. A empresa é signatária de compromissos como o Pacto Global da ONU, a Plataforma WEPS e o Fórum Empresas e Direitos LGBTI+ e ainda da Coalizão Empresarial para Equidade Racial e de Gênero.
Para a Edição Especial As Mulheres na Mineração Brasileira, Conexão Mineral conversou com Priscilla Chernicharo, especialista de Recursos Humanos e responsável pelo Programa Diversidade e Inclusão da Usiminas, que apresentou as principais ações desenvolvidas pela empresa.
Conexão Mineral – Lílian Moreira – Como o tema diversidade vem sendo trabalhado na Usiminas?
Usiminas - Priscilla Chernicharo - A Usiminas, que desde 2019, vem intensificando a sua atuação para se tornar uma empresa cada vez mais diversa e inclusiva entende a importância dessa ação e tem trabalhado para isso. Nesse mesmo ano, a Usiminas assinou a adesão formal ao Women Empowerment Principles (WEPS) da Organização das Nações Unidas (ONU). Esse documento lista os sete princípios produzidos e disseminados pela ONU para que a comunidade empresarial possa incorporar em seus negócios valores e práticas para a promoção da igualdade entre homens e mulheres. Além de promover o empoderamento econômico e liderança das mulheres como base para o crescimento sustentável, inclusivo e equitativo. O Programa de Diversidade e Inclusão Usiminas atua em cinco frentes: Equidade de Gênero, Pessoas com Deficiência, Gerações, Raça e Etnia e LGBTI+. Por meio, dos grupos de afinidade, criamos oportunidades para mantermos o tema sempre em pauta, trazendo discussões atuais e propondo diferentes formas de tornarmos a Usiminas cada vez mais diversa e inclusiva.
CM - Quantas mulheres trabalham atualmente na Usiminas e qual percentual representam em relação ao total de funcionários próprios? Existe uma meta a ser atingida?
Priscilla Chernicharo - Com o apoio do Programa Diversidade e Inclusão da Usiminas, conseguimos avançar com a presença de mulheres em cargos de gestão (especialistas, coordenadoras, gerentes a estatutários) na companhia. Em 2019 esse percentual era de 13,25% e em 2022 atingimos 17,02%, considerando o efetivo ativo, aprendizes, estagiários, trainee e estatutários. No ano de 2021, das 120 vagas do programa de aprendizes, 74 contou com a participação de mulheres, inclusive, uma turma inteira foi formada exclusivamente por elas. Em 2022, a Meta ESG de D&I, teve foco no Programa Aprendiz, e o desafio de atingir, ao menos, 55% de mulheres nas turmas. Fechamos o ano e atingimos 58%, ou seja, uma participação de mais de 240 mulheres realizando cursos industriais, que antes era mais comum para o gênero masculino, como Processos Siderúrgicos, Ponte Rolante, entre outros. Para 2023, daremos foco na representatividade feminina nos cargos de gestão e o desafio é evoluirmos comparando com o ano passado.
CM – Qual é o cenário atual da participação feminina na parte operacional da empresa?
Priscilla Chernicharo - Na Usina de Cubatão, por exemplo, muitos processos estratégicos da unidade, como Controle de Qualidade, Planejamento e Controle de Produção, já são comandados por mulheres. Em setembro de 2020, a companhia iniciou processos de mentoring e coaching para o público feminino, em parceria com consultoria especializada, com objetivo de acelerar o desenvolvimento para a carreira de liderança destas mulheres. Também em 2020, o Programa Jovens Profissionais Aprendiz da Usiminas dedicou uma turma exclusivamente para o público feminino focada no curso de Operadora de Movimentação e Armazenagem de Cargas, na Usina de Ipatinga, localizada em Ipatinga (MG).
Agora, em 2023, a companhia realizou a formatura de 10 maquinistas na Usina de Ipatinga (MG). Depois da fase de treinamento, que durou quase um ano e meio, as dez profissionais, as primeiras mulheres da empresa a atuarem nessa função, foram contratadas para trabalhar na operação das locomotivas da unidade. A companhia entende que a capacitação é uma forma de aumentar a presença de profissionais mulheres na Usiminas e, com isso, evoluir na equidade entre homens e mulheres nas áreas operacionais. A ideia é incentivar as jovens a trabalharem em todas as áreas de uma indústria.
CM – E na área de desenvolvimento tecnológico?
Priscilla Chernicharo - Na Diretoria Corporativa de Tecnologia da Informação, atualmente, o efetivo consolidado possui 172 colaboradores, sendo 24% mulheres. E uma coordenadora, que possui 18 anos de empresa.
CM - Alguma funcionária de carreira atualmente ocupa um cargo de liderança, por exemplo?
Priscilla Chernicharo - Há vários exemplos na companhia de lideranças femininas que começaram como estagiárias e hoje ocupam uma posição de liderança. Como citado inicialmente, a presença de mulheres em cargos de gestão na Usiminas aumentou expressivamente desde a criação do programa de Diversidade & Inclusão, em 2019. Vale reforçar novamente que em setembro de 2020, a companhia iniciou os processos de mentoring e coaching para mulheres, em parceria com consultoria especializada, com objetivo de acelerar o desenvolvimento para a carreira de liderança do público feminino.
CM - O que a Usiminas planejou para o Dia Internacional da Mulher?
Priscilla Chernicharo - Anualmente no Calendário de Diversidade & Inclusão, o Dia Internacional da Mulher é fundamental para reforçar o compromisso da companhia com esse programa. Além de publicar nos meios internos e mídias sociais diversas matérias relacionadas ao tema, são realizadas ações complementares durante todo o ano. Em 2023, por exemplo, no mês de março, em comemoração ao Dia da Mulher, aconteceu a roda de conversa com a participação especial de colaboradoras da Usiminas, além de profissional do mercado. Este é um debate diverso para conversar sobre os papéis que a mulher ocupa e os espaços em que estão inseridas no ambiente profissional. Esses encontros também são uma oportunidade para falar sobre os diversos papéis da mulher, além de outros temas inseridos no universo feminino.
CM - Na sua opinião, qual é o maior desafio enfrentado pela área de Recursos Humanos para aumentar a presença feminina e também estimular a diversidade considerando todos os grupos envolvidos?
Priscilla Chernicharo - A maior dificuldade é perceber que o viés inconsciente ainda é forte nos dias atuais. De forma geral, na nossa cultura, as pessoas têm em mente que a capacidade e o esforço do outro ser humano deve estar ligado as suas características pessoais. Por isso, a importância de um trabalho efetivo de treinamento, campanhas internas, rodas de conversa e conscientização nas empresas. Outro ponto importante, são os investimentos estruturais para adequar os ambientes operacionais a esse novo público, já que, na maioria das vezes, as áreas industriais não foram planejada para o público feminino. Enfim, uma mudança de cultura que requer mudanças de paradigmas e também estruturais.
As novas maquinistas na Usina de Ipatinga, em Minas Gerais (foto: Usiminas)























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