INB inicia remediação de 1.500 embalados na Unidade em Descomissionamento em Caldas

O material denominado de Torta II é um resíduo radioativo, proveniente do tratamento químico da monazita

Por Conexão Mineral 28/01/2022 - 22:00 hs
Foto: INB
INB inicia remediação de 1.500 embalados na Unidade em Descomissionamento em Caldas
INB está realizando a atividade com materiais, equipamentos e profissionais próprios

A Indústrias Nucleares do Brasil (INB) iniciou, no dia 10 de janeiro, a atividade de remediação de cerca de 1.500 embalados contendo Torta II na Unidade em Descomissionamento de Caldas (UDC). A operação foi aprovada pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e está sendo fiscalizada pelo órgão.

A remediação consiste na sobreembalagem com tambores novos e/ou substituição de paletes que sustentam o material, conforme o caso. “A previsão é realizar a remediação em 3 meses. Mas, como existe incertezas na estimativa desse prazo, por precaução, as providências foram tomadas para garantir os recursos necessários à operação por quatro meses. Remanescendo tempo, vamos avançar com a operação e sobreembalar mais tambores do que inicialmente planejado”, explica João Viçozo da Silva Junior, gerente de Descomissionamento de Caldas.

A INB está realizando a atividade com materiais, equipamentos e profissionais próprios, engajados na missão. As complementações foram as contratações externas de uma empilhadeira e de um leito de hospital em Poços de Caldas, destinado à descontaminação de vítima de eventual acidente durante o trabalho.

Os profissionais envolvidos na operação passaram por diversos treinamentos antes do início da atividade. Para os funcionários do hospital contratado, foram ministrados treinamentos de proteção radiológica e de atendimento à emergência radiológica.

Resíduos radioativos

O material denominado de Torta II é um resíduo radioativo, proveniente do tratamento químico da monazita.  É considerado um material de baixa radioatividade e precisa ser estocado seguindo normas de segurança.

A monazita era processada para produzir compostos de terras raras, utilizadas em cerâmicas, composição de materiais eletrônicos, supercondutores, imãs permanentes e ligas metálicas especiais.

Contrato entre INB e CDTN

No final de dezembro, uma cerimônia on-line marcou celebração de contrato entre a INB e o Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN) para a realização de estudos hidrológicos, hidrogeológicos e isotópicos relacionados à UDC. O presidente da INB, Carlos Freire Moreira, abriu a solenidade em dezembro, que aconteceu através de uma plataforma de videoconferência. “Esse marco de hoje é o primeiro passo de outras oportunidades que surgirão de trabalho em conjunto”, afirmou na ocasião.

Essa é a primeira vez que as duas instituições firmam um contrato. O diretor de Recursos Minerais da INB, Rogério Mendes Carvalho, destacou que similarmente ao que acontece com o ciclo do combustível nuclear, a mineração também tem um ciclo que começa com a prospecção e a exploração, passa pela engenharia e produção e termina no descomissionamento. “Cada vez mais, é importante a realização de uma mineração cuidadosa, responsável e bem planejada. As políticas de ESG (Environmental, Social e Governance) devem ser  os pilares de sustentação do negócio da empresa e esse planejamento tem que ser realizado do início ao fim das atividades. Esse contrato permitirá à INB e ao CDTN o uso das melhores práticas, ferramentas e tecnologias pra obtenção de resultados”, disse.
O trabalho será fundamental para a UDC conforme explica o superintendente de Descomissionamento, Diógenes Salgado Alves: “Nós tínhamos propostas em nível conceitual. Com esses estudos, poderemos definir soluções para duas áreas vitais para a Unidade. Com isso, vamos poder caminhar a passos largos para o descomissionamento”.
O CDTN é uma das unidades de pesquisa da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), autarquia vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e  Inovações (MCTI). As principais atividades do Centro hoje envolvem as áreas de tecnologia nuclear, minerais e materiais, saúde e meio ambiente. O diretor do CDTN, Luiz Carlos Duarte Ladeira, estava presente na cerimônia e afirmou: “O CDTN possui as condições para um olhar global que o diferencia de outros órgãos ou empresas e que, por isso, pode trabalhar desde o levantamento dos dados, passando pelas análises, tratando os resultados e modelagem e finalmente chegando ao diagnóstico, esperando que seja a resposta que a INB vem buscando ao longo desses anos”.
O presidente da CNEN, Paulo Roberto Pertusi, destacou na cerimônia a importância do momento. “Esse evento é muito mais que uma assinatura do contrato, o simbolismo que representa para a área nuclear brasileira é muito grande. Tenho certeza que esse momento é o prenúncio de vários outros que acontecerão no setor nuclear brasileiro”, enfatizou.  Pertusi também ressaltou que fica feliz em ver a INB atuando de forma autônoma, que ao se tornar empresa pública se desvinculou da CNEN que era sua maior acionista e reforçou a importância do trabalho da INB. “Uma atividade fantástica, que o país precisa conhecer e reconhecer esse trabalho fundamental para soberania brasileira”.